Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Violência

Atentado em república no sul da Rússia mata 20 e fere 134

Presidente acusa extremistas islâmicos pelo ataque, que estariam atuando ao lado de rebeldes locais

Pessoas observam cratera aberta pelo caminhão-bomba no quartel da polícia em Nazran | Kazbek Basayev/AFP
Pessoas observam cratera aberta pelo caminhão-bomba no quartel da polícia em Nazran (Foto: Kazbek Basayev/AFP)
Veja onde fica Nazran |

1 de 1

Veja onde fica Nazran

Nazran, Inguchétia - A explosão de um caminhão-bomba por um terrorista suicida em Nazran, na instável república russa da Inguchétia, deixou ao menos 20 mortos e 138 feridos on­­tem, numa ação que desencadeou imediato endurecimento contra rebeldes separatistas locais.

O governo acusou extremistas islâmicos pelo ato. O alvo do ataque foi a sede dos serviços policiais de Nazran, que teve os portões derrubados pelo caminhão-bomba por volta das 9 h (2 h de Brasília). No horário em que vá­­rios membros dos serviços de se­­gurança chegavam para trabalhar, o suicida invadiu o pátio e explodiu o veículo.

Várias edificações das redondezas, inclusive prédios residenciais, também foram atingidos. De acordo com informações oficiais, ao menos dez dos feridos são crianças.

Em reação à explosão, o presidente russo, Dmitri Medvedev, de­­mitiu o ministro do Interior da Inguchétia. Segundo ele, o atentado "poderia ter sido prevenido’’ e não foi apenas "resultado de problemas ligados ao terrorismo, mas também do trabalho insatisfatório de agências de segurança’’.

A crítica foi dirigida em parte à abordagem do presidente local, Iunus-Bek Ievkurov, para lidar com ameaças separatistas. Desde que foi apontado pelo Kremlin, em outubro último, ele se moveu para acabar com abusos de civis por forças de segurança – co­­muns no governo anterior – e para formar alianças com grupos rebeldes e líderes oposicionistas.

Mas a violência continuou, ali­­mentada tanto por milícias locais quanto pela chegada de se­­pa­ra­tistas em fuga da vizinha Che­chê­nia, onde o governo usa táticas muito mais brutais de con­­tra in­­sur­­gência.

Outro sinal de que a tentativa de Ievkurov está em risco é o fato de que Ramzan Kadirov, presidente da república da Chechênia, enviou seus comandantes para a Inguchétia a fim de conduzir lá operações de contraterrorismo.

Suspeitas

De Moscou, Ievkurov afirmou que "mercenários árabes’’ estão lutando ao lado de rebeldes locais. Ele sugeriu ainda que o "Ocidente’’ está interessado em desestabilizar o norte do Cáucaso e pode estar envolvido no atentado. "Já disse antes e direi de novo: o Ocidente vai se esforçar para impedir a Rús­­sia de reavivar seu antigo poderio soviético’’, declarou a uma rádio.

O ataque de ontem foi o pior do ano na república, que mantém histórico de violência frequente. Em junho, o próprio Ievkurov fi­­cou seriamente ferido após ter o comboio atingido por um carro-bomba – ele ainda não voltou ao trabalho.

Na semana passada, o ministro da Construção da Inguchétia, Rus­­lan Amirkhanov, foi assassinado em seu escritório. O presidente Medvedev também ordenou on­­tem que o ministro do Interior da Rússia aumente o número de forças policiais na Inguchétia.

De Washington, o presidente dos Estados Unidos, Barack Oba­­ma, enviou mensagem de pesar ao governo da Rússia e aos familiares das vítimas do atentado. "Não há nada que possa justificar tal ato de terrorismo", declarou Obama.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.