A Grã-Bretanha pode continuar tendo algum papel no Afeganistão até 2050, disse o próximo chefe do Exército britânico em entrevista publicada no sábado (8).
O general David Richards, que assume a chefia do Estado-Maior neste mês, disse que o envolvimento militar britânico só deve ser necessário em médio prazo, até ser substituído pela ajuda na administração do país.
"Acredito que o Reino Unido estará comprometido com o Afeganistão de alguma maneira - desenvolvimento, governança, reforma do setor de segurança - pelos próximos 30 ou 40 anos", disse ele ao jornal The Times.
"O papel do Exército irá evoluir, mas todo o processo pode levar até 30 a 40 anos", afirmou ele, segundo quem "absolutamente não há chance" de a Otan retirar seu contingente antes que as forças afegãs estejam preparadas.
"Assim como no Iraque, estamos de saída militarmente, mas o povo afegão e nossos oponentes precisam saber que isso não significa abandonarmos a região", disse ele na entrevista.
"Cometemos esse erro uma vez. Nossos adversários estão apostando que cometermos de novo, e precisamos provar que eles estão errados", acrescentou o general, numa aparente referência ao distanciamento ocidental em relação ao Afeganistão depois da desocupação soviética de 1989.
A Grã-Bretanha tem cerca de 9.000 soldados no Afeganistão, maior contingente depois dos EUA, e a ideia de manter forças ali por muitos anos seria impopular junto à opinião pública.
Pesquisa deste mês do Times sugeriu que dois terços dos eleitores querem a retirada total das tropas dentro de no máximo um ano. A pressão nesse sentido sobre o governo cresceu por causa da morte de 22 soldados britânicos em julho, pior mês para as forças da Grã-Bretanha desde sua adesão à ocupação iniciada pelos EUA em 2001.
Críticos acusam o primeiro-ministro Gordon Brown de não ter comprometido tropas suficientes para a guerra do Afeganistão, ou de não fornecer a elas equipamentos adequados, inclusive as blindagens corporais.
Brown, em baixa nas pesquisas de popularidade, rejeita tais críticas.
A violência recrudesceu no Afeganistão nesta reta final para as eleições presidenciais de 20 de agosto, que serão um teste importante nos esforços ocidentais para estabilizar o país.







