Paris (Das Agências Internacionais) A onda de violência urbana na França que ocorre especialmente nos bairros mais pobres da capital, Paris, e seus arredores chegou ao seu nono dia consecutivo, com um saldo de 900 veículos incendiados e 203 prisões de manifestantes, segundo fontes policiais francesas. Pelo menos um policial foi ferido.
Entre os automóveis atacados, 563 foram apenas em Ile-de-France, região da capital Paris. No entanto, o número de incidentes aumentou muito nas demais cidades francesas.
A noite de sexata-feira foi a mais violenta em relação à destruição de carros e número de detenções em todo o país. Foram incendiados 519 carros na região parisiense e 77 em outras regiões. Apenas 78 manifestantes foram presos.
Estes tumultos, causados em sua maioria por jovens descendentes de imigrantes africanos e muçulmanos, ganham força devido ao desemprego, à pobreza e à falta de acesso à educação e à moradia.
Nas cidades vizinhas e carentes em torno da capital francesa, os atos de vandalismo não se resumiram somente a automóveis. Ônibus, creches, colégios, uma escola maternal, estabelecimentos públicos e comerciais também foram alvos de ataques.
As autoridades francesas anunciaram ter adotado a estratégia de evitar o confronto direto com os manifestantes, com o objetivo de não exaltar ainda mais os ânimos dos jovens revoltosos.
Os conflitos também ocorreram, em menor escala, em diversas cidades de médio e grande porte no país, como Lyon, Marselha, Dijon e Rouen. Em Toulouse, na região sudoeste, cinco pessoas foram agredidas. A polícia local anunciou que nove veículos foram atacados durante a madrugada. Os bombeiros tiveram muito trabalho com as inúmeras cestas de lixo que também foram incendiadas em diversos bairros.
Em Pau, cidade próxima a Toulouse, onze veículos foram queimados ontem, segundo fontes do Corpo de Bombeiros locais.
Fuga
A onda de violência teve início na semana passada em Seine-Saint-Denis, no subúrbio parisiense, depois que dois adolescentes de origem africana morreram eletrocutados ao se esconderem da polícia em uma subestação de energia elétrica.
Moradores da região desconfiam de que os dois jovens de 15 e 17 anos- morreram depois de serem perseguidos pela polícia. Um relatório oficial divulgado nesta quinta-feira nega a participação direta da polícia nas mortes. No entanto, a conclusão não diminuiu os confrontos nos subúrbios.
Os episódios causaram críticas e intensa pressão sobre o governo do primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, para a restauração da ordem sem excluir as minorias e a população mais pobre.



