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Um avião pertencente à Marinha dos EUA sobrevoou uma área próxima à costa do Irã na madrugada desta quarta-feira (14, horário local) em meio ao aumento das tensões entre os países e a crescente repressão aos protestos iniciados há duas semanas.
Segundo dados de monitoramento do site FlightRadar, a aeronave é do modelo não tripulado Northrop Grumman MQ-4C Triton e partiu de Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, em direção à costa sul do país persa.
Os principais usos militares desse avião incluem realizar patrulhas, auxiliar missões de busca e salvamento e proporcionar inteligência avançada em tempo real, com missões de reconhecimento sobre o oceano, um sinal de que os EUA podem estar se preparando para uma intervenção militar, como sugerido pelo presidente Donald Trump em declarações nos últimos dias.
Segundo a empresa fabricante da aeronave, a Northrop Grumman, o MQ-4C Triton é capaz de “detectar, rastrear e classificar objetos de forma rápida e segura ao voar mais alto, por mais tempo e com maior eficiência, compartilhando dados rapidamente para viabilizar a coordenação militar”.
A movimentação militar ocorre poucas horas depois de Trump ameaçar impor "medidas muito severas" ao Irã se as autoridades locais enforcarem manifestantes que participam da onda de protestos que sacode o país.
"Tomaremos ações muito severas se fizerem algo assim. Tomaremos ações muito severas", declarou Trump em uma entrevista à emissora CBS sobre informações de que o regime islâmico planeja começar a executar por enforcamento os manifestantes.
Um primeiro caso de pena de morte de um manifestante envolvido com os protestos está marcado para esta quarta-feira (14). Segundo informações da Radio Free Europe/Radio Liberty, grupos de direitos humanos, como o norueguês Iran Human Rights e Hengaw, citaram fontes que afirmaram que Erfan Soltani, de 26 anos, acusado de “travar guerra contra Deus” devido à sua participação nos protestos, será executado neste dia, seis dias após ter sido preso.
Erfan Soltani participou das manifestações que acontecem no Irã durante o mês de dezembro. De acordo com o portal IranWire, o jovem foi preso perto de sua casa no distrito de Fardis, em Karaj, e foi mantido por três dias sem contato com a família. No domingo (11), agentes de segurança comunicaram que ele estava sob custódia e que havia sido condenado à morte.
Pessoas próximas ao manifestante relataram ao portal de notícias NDTV que o Soltani não teve direito de defesa durante o julgamento e seus familiares puderam visitá-lo por 10 minutos.
Os dados coletados por observadores de direitos humanos e estimativas oficiais revelam que as mortes nos protestos já passaram das 2.500 pessoas. Em contato com o The New York Times, um oficial iraniano afirmou que ao menos três mil pessoas morreram até o momento.




