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O bombardeiro estratégico B-52 Stratofortress passou a ser empregado de forma rotineira em missões sobre o Irã, conforme confirmou nesta terça-feira (31) o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, general Dan Caine.
A aeronave, de capacidade nuclear, entrou em operação após o avanço da superioridade aérea americana no país. "Conseguimos iniciar as primeiras missões com o B-52, o que nos permite avançar sobre o inimigo", disse o general.
Símbolo da supremacia aérea dos EUA
Fabricado pela Boeing, o B-52 é considerado o bombardeiro mais emblemático da Força Aérea dos Estados Unidos. O modelo original entrou em operação em 1955, no auge da Guerra Fria, como parte da estratégia nuclear americana de dissuasão. Desde então, a aeronave passou por várias versões – de B-52A até B-52G -, cada uma recebendo melhorias estruturais, de desempenho e de armamento.
A variante atual, o B-52H Stratofortress, entrou em serviço em 1961 e é a única ainda com operação ativa. Segundo a Boeing, “o B-52 é o avião mais capaz de combate no inventário americano, oferecendo capacidade nuclear e convencional de ataque global imediato”.
A aeronave tem uma envergadura de 56 metros, pode carregar até 31,5 toneladas de armamentos – incluindo mísseis de cruzeiro, bombas inteligentes e minas – e voar a uma velocidade de até 1.046 km/h. Sua autonomia de voo ultrapassa 14 mil quilômetros, limite que pode ser ampliado com reabastecimento aéreo, o que lhe permite realizar missões intercontinentais sem necessidade de pouso.
Mais de 60 anos de serviço ativo
A Força Aérea dos EUA mantém 76 unidades do B-52H em operação, distribuídas entre as bases de Barksdale, na Louisiana, e Minot, na Dakota do Norte.
“Os B-52 continuam sendo um elemento essencial da estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos”, afirma a Boeing em seu site oficial.
O modelo atual deve permanecer em uso até pelo menos 2050, após sucessivas atualizações em sistemas de navegação, comunicação e armamento. Durante sua trajetória, as versões do B-52 participaram de diversas campanhas militares, incluindo as guerras do Vietnã, do Golfo e do Iraque, além de missões contra o Estado Islâmico na Síria. Seu desempenho em missões de ataque e apoio aéreo levou o Pentágono a chamá-lo de “espinha dorsal” da capacidade estratégica americana.
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B-52 sobrevoou a Venezuela em 2025
O emprego do B-52 no Irã não é novidade na política externa de Trump. Em outubro de 2025, três unidades do bombardeiro estratégico foram avistadas próximas ao espaço aéreo da Venezuela, em meio à escalada de tensões com o regime de Nicolás Maduro.
A aparição das aeronaves foi lida como uma demonstração de força do governo americano na região — parte de uma intensificação da presença militar dos EUA no Caribe sob o argumento de combate ao narcotráfico e impedimento do fluxo de drogas em solo americano.
O episódio evidencia como o B-52 vem sendo utilizado pela gestão Trump como ferramenta de dissuasão em diferentes frentes: primeiro no Caribe, agora de forma rotineira sobre o território iraniano.










