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O presidente do Chile, Gabriel Boric, fala em entrevista coletiva, durante a Cúpula das Américas, em Los Angeles, Califórnia, EUA, 10 de junho de 2022.
O presidente do Chile, Gabriel Boric, fala em entrevista coletiva, durante a Cúpula das Américas, em Los Angeles, Califórnia, EUA, 10 de junho de 2022.| Foto: EFE/EPA/CAROLINE BREHMAN

O presidente do Chile, Gabriel Boric, anunciou na quinta-feira (25) que aceitou a renúncia da ministra do Desenvolvimento Social, Jeannette Vega, depois do vazamento da informação de que uma de suas assessoras entrou em contato recentemente por telefone com o líder radical mapuche Héctor Llaitul, preso ontem.

"Tomei a decisão de aceitar a renúncia da ministra do Desenvolvimento Social, Jeannette Vega", disse o presidente chileno durante uma viagem pelo norte do país.

Vega, de 64 anos e ligada ao social-democrata Partido pela Democracia (PPD), é a primeira ministra a deixar o governo de Boric, uma renúncia que ocorre cinco meses após a posse e dez dias antes do plebiscito em que os chilenos decidirão se aprovam ou não a proposta de uma nova Constituição.

O meio local “Ex-Ante” revelou nesta quinta-feira um relatório da Polícia de Investigação do Chile (PDI) que indica que uma funcionária do Ministério de Desenvolvimento Social entrou em contato com Llaitul em maio para tentar agendar uma conversa com Vega.

A comunicação ocorreu na mesma manhã em que o líder da Coordenadoria Arauco-Malleco (CAM), uma das principais organizações radicais mapuche que atuam no sul do Chile, pediu para que se organizasse uma “resistência armada" em resposta à militarização da área que Boric havia decretado.

"Devemos ter cuidado com a substância e também com a forma. Os fatos que aprendemos tornam apropriado fazer valer a responsabilidade política da ministra", acrescentou o presidente, que anunciou que a subsecretária Paula Poblete assumirá o cargo de maneira provisória.

Essa não é a primeira polêmica em que Vega está envolvida, uma vez que em maio, dias após o contato entre sua assessora e Llaitul, reconheceu a uma emissora de televisão local que há presos políticos mapuches no Chile.

Suas declarações desencadearam uma onda de críticas, inclusive no partido governista, e a agora ex-ministra teve que retificá-las horas depois.

Um tribunal decretou na quinta-feira a prisão preventiva de Llaitul, que foi preso no dia anterior pelos supostos crimes de "roubo de madeira, usurpação e agressão à autoridade", e transferido para Temuco, capital da região de Araucanía, 700 quilômetros ao sul de Santiago.

Ali, e em outras áreas do sul, é travado há décadas o chamado "conflito mapuche", uma disputa territorial entre o Estado, comunidades indígenas radicais e empresas florestais que exploram terras consideradas ancestrais.

Nesse contexto, ocorrem quase diariamente ataques incendiários a máquinas e propriedades e bloqueios de estradas - muitos deles reivindicados pela CAM - e periodicamente acontecem também tiroteios com vítimas fatais.

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