
Com alguns baques surdos, um saco de 1 tonelada de tecido de alta resistência rolou da parede do túnel e foi ao chão. E aí começou a encher.
Conforme o ar foi entrando nele por uma mangueira, o saco inflou até ficar bem preso nos 5 metros de diâmetro de um túnel que imitava os do metrô como se fosse o recheio de um gigantesco canelone de concreto e aço.
O procedimento, que demora três minutos, conduzido numa manhã fria deste mês num hangar não muito longe da Universidade da Virgínia Ocidental, foi o mais recente teste de um aparelho que pode algum dia ajudar a proteger túneis de verdade durante desastres sejam estes ataques terroristas ou tempestades como o Furacão Sandy, cujos ventos fortes fizeram com que o sistema de metrô de Nova York fosse completamente dominado pelas águas, deixando-o desativado por dias.
"O objetivo é fornecer proteção para os túneis de transporte", disse John Fortune, gerente desse projeto federal do diretório de ciência e tecnologia do Departamento de Segurança Doméstica.
A ideia é simples: em vez de reequipar os túneis com comportas de metal e outras estruturas de alto custo, o projeto visa utilizar um plugue inflável relativamente barato para reter a água.
Em teoria, seria como inflar um balão dentro de um tubo. Mas, na prática, desenvolver um plugue que seja forte, durável, de rápida instalação e à prova de erros é uma tarefa difícil para a engenharia, um desafio que se torna ainda maior por causa dos materiais relativamente leves e maleáveis exigidos.
"A água é pesada e faz muita pressão", disse Greg Holter, um engenheiro que trabalha para o Laboratório Nacional do Noroeste do Pacífico. "Não é uma coisa tão simples quanto só inflar e ocupar o espaço. O plugue precisa aguentar a pressão da água atrás dele".
A ideia está em desenvolvimento há mais de cinco anos esse foi o 21º teste e Fortune diz que há pelos menos mais alguns anos de trabalhos de teste e planejamento à frente. Se for provada a eficácia desses plugues, eles serão disponibilizados para sistemas de trânsito de todo o país; pelo menos inicialmente, o custo estimado é de cerca de US$ 400 mil cada um.
"Nós conversamos frequentemente com o pessoal das agências de tráfego de massa, os verdadeiros especialistas na área, sobre como eles seriam postos em prática", disse Fortune.
Adam Lisberg,da Autoridade de Transporte Metropolitano, que administra os sistemas de tráfego da cidade de Nova York, disse que o prejuízo causado pela tempestade "será certamente o foco de nossa atenção", no que diz respeito aos modos de se proteger os metrôs. "Mas ainda é cedo demais para se falar de qualquer tecnologia específica proposta", ele disse.
Tradução de Adriano Scandolara.



