
Ouça este conteúdo
O Banco Mundial prevê que a economia da América Latina e do Caribe crescerá 2,2% em 2026, praticamente mantendo o ritmo registrado no ano passado. Dentro desse cenário, países governados por líderes de direita aparecem entre os destaques apontados pela instituição por apresentarem crescimento econômico acima da média regional.
O novo Panorama Econômico da América Latina e do Caribe, divulgado nesta terça-feira (6), aponta que El Salvador deve crescer 4,5% neste ano, enquanto o Paraguai terá um crescimento econômico de 4,7% e o Panamá, 4,2%. Os três países são comandados, respectivamente, por Nayib Bukele, Santiago Peña e José Raúl Mulino, todos de direita.
O Banco Mundial destacou El Salvador e Paraguai entre os países que estão conseguindo crescer acima da média da região. Segundo a instituição, os resultados observados nesses países estão relacionados à melhora das condições de segurança, à consolidação fiscal e ao aumento dos investimentos privados. A República Dominicana também deve crescer 4,7% neste ano (neste caso, o país é comandado por Luis Abinader, de centro-esquerda).
O cenário avaliado pelo Banco Mundial ocorre em um momento de avanço da direita em vários países da América Latina. Além dos governos de Bukele, Peña e Mulino, eleições realizadas neste ano levaram candidatos conservadores ao poder em países como Colômbia, Chile, Peru e Equador. No Brasil, Flávio Bolsonaro terminou o 1º turno à frente de Lula.
A Argentina, governada pelo presidente Javier Milei, também recebeu destaque no relatório. Embora a previsão de crescimento para este ano seja de 2,1%, o Banco Mundial estima que o país completará em 2027 três anos consecutivos de crescimento econômico, algo que não ocorria havia quase duas décadas.
Segundo o organismo, a trajetória argentina está relacionada ao ajuste fiscal, às reformas tributárias e à maior abertura da economia implementados por Milei nos últimos anos. O Banco Mundial colocou o país entre os exemplos de economias que adotaram políticas consideradas consistentes e de longo prazo.
As duas maiores economias da América Latina aparecem na análise com crescimento econômico mais baixo em comparação ao crescimento regional. Ambas são atualmente comandadas pela esquerda. O Brasil, comandado por Lula, deve crescer 2,1% em 2026, enquanto o México, liderado pela esquerdista Claudia Sheinbaum, tem previsão de crescimento de 1,4%, ambos estão abaixo da média regional de 2,2%.
Apesar dos resultados positivos em alguns países, o Banco Mundial considera que o crescimento da região continua modesto. Em 2025, a América Latina e o Caribe tiveram crescimento de 2,4%.
A instituição também alertou para riscos que podem prejudicar a economia nos próximos meses, entre eles os preços da energia, o endividamento elevado, os juros altos e os possíveis efeitos de um episódio mais intenso do fenômeno El Niño sobre a agricultura e a geração de energia hidrelétrica.
“A América Latina e o Caribe têm potencial para alcançar um crescimento mais forte e mais ambicioso”, afirmou Susana Cordeiro Guerra, vice-presidente do Banco Mundial para a região. Segundo ela, países que mantiveram fundamentos macroeconômicos sólidos e avançaram em reformas mostram que taxas maiores de crescimento são possíveis.







