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Para entender

Bispo Wilfred Anagbe cobra ação do governo contra violência na Nigéria

O contato diário com a Palavra de Deus nutre a fé pessoal, impulsionando momentos de introspecção, discernimento e fortalecimento espiritual (Foto: Pixabay / Václav Závada)

O bispo Wilfred Chikpa Anagbe, da Diocese de Makurdi, criticou duramente a postura das autoridades nigerianas diante dos ataques persistentes no estado de Benue. Em entrevista realizada neste dia 6 de novembro de 2026, o líder religioso afirmou que o governo possui plena capacidade militar e estratégica para conter a onda de crimes, mas carece de vontade política para proteger as comunidades.

Quais são as principais críticas do bispo Anagbe sobre a segurança na Nigéria?

O bispo afirma de forma enfática que a persistência da violência no país não se deve a uma incapacidade técnica das forças de segurança, mas sim a uma escolha política. Para ele, a Nigéria é perfeitamente capaz de lidar com os ataques, porém falta disposição por parte das autoridades em agir. Ele exemplificou sua frustração citando que milícias locais emitiram alertas sobre um ataque mortal na comunidade de Yelwata com semanas de antecedência, inclusive reforçando o aviso 24 horas antes do ocorrido, mas o governo ignorou as informações e nada fez para evitar a tragédia.

Como as autoridades reagiram ao ataque na comunidade de Yelwata?

Segundo os relatos colhidos, o ataque à comunidade de Yelwata durou aproximadamente quatro horas. Esse tempo seria mais do que suficiente para que o pessoal de segurança do Estado interviesse e salvasse vidas, dada a gravidade da situação. No entanto, o bispo lamenta que nenhuma ajuda tenha chegado durante o massacre. Ele defende que, se houvesse compromisso real, até mesmo os grupos de milícias das aldeias poderiam ter resolvido a questão. O descaso gerou feridas profundas na população, que se sentiu abandonada pelo poder público no momento de maior necessidade.

Qual é a preocupação do líder religioso com os combatentes arrependidos?

Wilfred Anagbe expressou uma preocupação específica sobre como o governo lida com ex-insurgentes, muitas vezes chamados de combatentes arrependidos. O receio é que esses indivíduos, ao serem reintegrados ou processados de forma inadequada, possam se infiltrar nas estruturas de segurança do país, comprometendo a integridade das instituições. Além disso, ele destacou o papel da Igreja em acolher as famílias afetadas, garantindo enterros cristãos dignos e criando memoriais com os nomes reais das vítimas, para que a história e o sofrimento dessas pessoas jamais sejam esquecidos.

Qual deve ser o papel dos católicos leigos na política segundo o bispo?

Como presidente da Comissão Episcopal para o Laicato, Anagbe convoca os fiéis que não fazem parte do clero a agirem como o sal da terra e a luz do mundo. Ele defende que ser católico deve ser evidente tanto em palavras quanto em ações, especialmente na política, economia e educação. O bispo criticou políticos que se identificam como religiosos apenas durante campanhas eleitorais, mas não aplicam os valores cristãos de justiça e ética em suas responsabilidades públicas diárias. Para ele, a fé deve ser traduzida em liderança coerente para transformar a sociedade nigeriana.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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