
A primeira reunião entre as delegações sírias do governo e da oposição terminou na manhã de ontem e durou cerca de meia hora. A previsão era de que a negociação seria retomada na parte da tarde, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra, na Suíça.
INFOGRÁFICO: País tem maioria sunita, principal ramo do islamismo
O chefe negociador da oposição, Hadi al Bahra, disse à agência Efe na saída do encontro que o mediador internacional, Lakhdar Brahimi, foi o único a falar e que, em sua declaração, se referiu à implementação do "Comunicado de Genebra", documento feito durante o primeiro encontro acerca da crise síria, organizado pouco depois do episódio envolvendo o uso de armas químicas no país e que estabelece a formação de um governo transitório e a saída de Bashar Assad da presidência.
A equipe de negociadores do regime é dirigida por Bashar al Jaafari, embaixador da Síria na ONU, e não pelo ministro sírio das Relações Exteriores, Walid al-Mualem. Os negociadores da oposição, por sua parte, são liderados por Hadi al Bahra.
Na véspera, Brahimi conseguiu convenceu os dois lados a não desistir da negociação por muito pouco, elas não foram abandonadas pela delegação do governo sírio antes mesmo de começarem, depois que os opositores insistiram na saída de Assad. Brahimi negou a hipótese de que uma das delegações deixaria as negociações mais cedo.
Antes, na quarta-feira, primeiro dia do evento, o secretário-geral da ONU, o sul-coreano Ban Ki-moon, discutiu com o chanceler sírio, Walid al-Moualem, que se estendeu por 35 minutos quando o tempo estipulado para cada participante falar era de 10 minutos.
Mais do que um conflito interno, a resolução da guerra na Síria terá desdobramentos na geopolítica do Oriente Médio. Apesar de uma definição no curto prazo ainda ser considerada difícil por especialistas, o resultado da conferência deverá pesar também na influência de norte-americanos e russos na região, um dos principais focos de tensão do planeta.
Inverno
Não bastasse o conflito armado, a região vive o inverno mais rigoroso das últimas décadas. Chuvas fortes, tempestades de neve e temperaturas abaixo de zero têm castigado a população de certas partes da Síria e dos campos de refugiados nos países vizinhos.
Um dos aspectos a serem discutidos na Suíça é, justamente, a ajuda humanitária para quem precisa dela.



