Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Meio ambiente

Brasil adverte para o risco de “desastre” climático

Chefe da delegação brasileira na Conferência do Clima diz que encontro não pode acabar sem avanço para controlar emissão de poluentes

Ativistas protestam contra o Banco Mundial durante a conferência do Clima, em Durban, África do Sul | Mike Hutchings/Reuters
Ativistas protestam contra o Banco Mundial durante a conferência do Clima, em Durban, África do Sul (Foto: Mike Hutchings/Reuters)

Se o Protocolo de Kyoto, que expira no fim de 2012, não for renovado na 16.ª Cúpula da ONU sobre a Mudança Climática (COP 17) de Durban, África do Sul, será "um grande desastre" para o multilateralismo, advertiu o chefe da delegação do Brasil, o embaixador André Corrêa do Lago.

"Se não alcançarmos o segundo período de compromisso de Kyoto vamos ter uma situação literalmente dramática para as negociações multilaterais", afirmou Corrêa do Lago na África do Sul.

Assinado em 1997 e em vigor desde 2005, o Protocolo de Kyoto estabeleceu compromissos legalmente vinculativos de redução de emissões de gases do efeito estufa para 37 países desenvolvidos, com exceção dos Estados Unidos.

O protocolo vence em 2012 e os negociadores tentam acordar um segundo período de compromisso que sirva de transição para um novo acordo internacional juridicamente vinculativo.

Rússia, Japão e Canadá anteciparam intenções de não renovar o tratado enquanto concorrentes comerciais como China, Índia e os EUA não assumirem compromissos similares.

"Para o Brasil, os esforços em direção a um segundo período de compromisso do Protocolo de Kyoto é prioridade absoluta", ressaltou o embaixador.

"Para que esta realidade seja possível, temos de encontrar equilíbrios. O que é muito difícil, porque como os EUA não estão no Protocolo de Kyoto, para alcançar resultados equilibrados são necessárias intenções americanas na negociação".

O Brasil considera que a conferência de Durban não pode permitir-se ao luxo de acabar sem oferecer um avanço nessa área, pois "este ponto é a negociação mais importante do mundo", levando em consideração que o processo da Rodada de Doha para a liberalização do comércio mundial está "parado".

"Com Doha parado, temos a sensação que também não podemos avançar na mudança climática. Isto será um desastre para o multilateralismo", ressaltou.

Perguntado pela duração do segundo período de compromisso do tratado, o embaixador respondeu que o "Brasil negocia o assunto no contexto do Grupo dos Setenta e Sete (G77, países em desenvolvimento e emergentes) e com a China, que defende espaço de tempo de cinco anos", embora de maneira flexível.

A União Europa (UE) propôs uma estratégia para elaborar um novo tratado que, assinado em 2015 e aplicado em 2020, obrigue não somente os países desenvolvidos, mas também a emergentes como a China (principal emissor de gases do efeito estufa) e o Brasil.O negociador brasileiro classifica esse tipo de proposta de "maximalista em sua origem" e defende "o princípio da responsabilidade comum, mas diferenciada".

Em sua opinião, "por mais que países como o Brasil, Índia e China tenham feito grandes progressos no combate à pobreza, seguimos sendo países em desenvolvimento. Não tem nenhum sentido que tenhamos as mesmas obrigações que os países já desenvolvidos".

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.