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O governo brasileiro barrou a entrada no país de dois altos funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Eles tiveram o visto de entrada para o Brasil negado. O objetivo dos emissários era verificar a integridade do sistema eleitoral brasileiro.
A revelação foi publicada primeiramente pelo jornal norte-americano The Washington Post. De acordo com a apuração, a delegação norte-americana seria composta por Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente, ambos indicados políticos da administração de Donald Trump.
Os diplomatas chegariam à capital federal nos próximos dias. Diante da articulação, diplomatas brasileiros agiram para impedir a viagem, classificando a iniciativa como uma tentativa de ingerência estrangeira e de deslegitimação das urnas eletrônicas.
O plano e a reação que levou Brasil a negar vistos
Fontes ouvidas pelo The Washington Post sob condição de anonimato apontam que o objetivo dos enviados de Washington seria se reunir com críticos do sistema eleitoral brasileiro e produzir um relatório.
Questionado pelo jornal, o Departamento de Estado norte-americano confirmou que Barnes e Samson planejavam a viagem a Brasília, mas evitou responder sobre o propósito oficial da missão ou se a Casa Branca estaria preocupada com a integridade eleitoral no Brasil.
TSE diz que não foi informado sobre agenda de emissários
O Tribunal Superior Eleitoral afirmou por meio de nota que foi procurado pela Embaixada dos Estados Unidos "para tratar sobre a visita de integrantes do governo norte-americano, mas não foi informada a temática da agenda, que não foi marcada em razão do recesso do Judiciário."
O órgão disse que o ministro Kássio Nunes Marques, presidente do TSE, realizou em 16 de junho uma reunião com 25 embaixadores. Na ocasião Marques "fez uma defesa e uma explicação sobre o funcionamento do sistema eletrônico de votação brasileiro."
O TSE afirmou que no próximo dia 17 dee agosto realizará um novo encontro com embaixadores e a diplomacia dos EUA será convidada.
O órgão eleitoral disse ainda que a Organização dos Estados Americanos (OEA), a União Europeia, e diversos outros órgãos internacionais já aceitaram compor a Missão de Observadores Eleitorais para acompanhar o pleito de outubro.
Tensões bilaterais
A tentativa frustrada de envio dos funcionários ocorre em meio a uma escalada de atritos entre os governos de Washington e Brasília.
Nos últimos dias, a relação bilateral tem sido marcada por trocas de críticas públicas, imposição de tarifas comerciais a produtos brasileiros e divergências profundas em torno de processos judiciais de repercussão política no Brasil, envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus familiares.
Enquanto aliados de Trump intensificam discursos criticando os rumos da Justiça brasileira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem reiterado em foros internacionais o repúdio a tentativas externas de interferência nas urnas e na soberania do país.




