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A desaprovação do ex-líder estudantil Gabriel Boric chega a 61% entre os mais pobres, segundo a pesquisa Praça Pública
A desaprovação do ex-líder estudantil Gabriel Boric chega a 61% entre os mais pobres, segundo a pesquisa Praça Pública| Foto: EFE/Alberto Valdés

Prestes a completar dois meses na presidência do Chile, o ex-líder estudantil Gabriel Boric tem  sofrido uma progressiva queda em sua popularidade, sobretudo entre os mais pobres. Em apenas 15 dias, a “percepção de que o país está no caminho errado” subiu 18 pontos, chegando a 62%, de acordo com a pesquisa Praça Pública, realizada no fim de abril pelo Cadem (empresa chilena que monitora percepções e comportamentos, por meio de entrevistas presenciais, telefônicas e online). Desaprovado por mais da metade da população (53%), segundo a amostragem da pesquisa, o esquerdista tem apresentado medidas econômicas para tentar melhorar sua imagem perante a opinião pública.

Somente na segunda-feira (2), Boric anunciou dois projetos de lei nesse sentido: um para reajustar em 14,3% o salário mínimo no país e outro para injetar US$ 40 milhões no Fundo de Estabilização de Preços do Petróleo, numa tentativa de conter a alta de recursos energéticos, em meio a um histórico período de inflação.

O projeto de lei apresentado pelo governo para aumentar o salário mínimo neste ano, de 350 mil pesos (cerca de R$ 2.040) para 400 mil pesos (aproximadamente R$ 2.332), entrou em discussão no Parlamento nesta segunda. "É uma medida inédita que atende ao impacto do aumento da inflação sobre o poder de compra da renda das famílias", disse o ministro da Fazenda, Mario Marcel.

O projeto, que ainda deve passar por ambas as Câmaras, propõe um primeiro reajuste para 380 mil pesos (cerca de R$ 2.216) até 1º de agosto, e um segundo para 400 mil pesos até dezembro. O valor será retroativo, a partir de 1º de maio, e virá acompanhado de um subsídio para empresas menores "que cobrirá o aumento do salário mínimo que está acima da inflação", acrescentou o ministro da Economia, Nicolás Grau.

No Chile, os ministérios da Fazenda e da Economia são separados. Segundo o site do governo, o objetivo do primeiro é “gerir com eficiência os recursos públicos através de um Estado moderno a serviço dos cidadãos; gerar condições de estabilidade, transparência e competitividade”. Já o segundo, que concentra Economia, Desenvolvimento e Turismo, teria como missão “promover a modernização e competitividade da estrutura produtiva do país, a iniciativa privada e a atuação eficiente do mercado, o desenvolvimento da inovação e a consolidação da inserção internacional".

Na segunda-feira, Boric declarou, em depoimento reproduzido pelo jornal chileno La Nación, ter feito uma "reunião muito positiva com 14 sindicatos de pequenas e médias empresas, com os quais chegamos a um importante acordo para o aumento do salário mínimo".

Segundo o governo, a renda mínima deve subir para 410 mil pesos por mês (R$ 2.390), a partir de janeiro do próximo ano, caso a inflação acumulada em 12 meses até dezembro de 2022 ultrapasse 7%.

Somente no mês de março, o Chile acumulou uma inflação de 9,4% em 12 meses, situação que levou o Banco Central a elevar a taxa básica de juros, como medida de contenção, de 2,75% para 7% em menos de meio ano, algo inédito no país em mais de 20 anos. A previsão de crescimento econômico do Chile varia de 1% a 2% em 2022, segundo o Banco Central. No ano passado, a alta foi de 11,7%.

Energia

Já o pacote de medidas energéticas, anunciado por Boric na segunda-feira, teria por objetivo auxiliar as famílias a enfrentar as despesas de inverno. A injeção de recursos no Fundo de Estabilização de Preços do Petróleo “permitirá baixar o preço da parafina (querosene), o que foi justamente uma indicação de que o os parlamentares nos fizeram ver”, disse o líder chileno, segundo o jornal La Tercera.

Boric também prometeu enviar ao Congresso “um projeto de estabilização das contas de eletricidade, para evitar uma alta brusca no preço da luz", além de um terceiro projeto de lei para "melhorar a concorrência no mercado do gás". "Não queremos nenhum tipo de conluio", afirmou.

"Sabemos que é um começo, estamos abrindo uma porta: durante muito tempo, nos disseram que o Estado não pode distribuir e o que estamos demonstrando com essa iniciativa é que o Estado pode assumir este trabalho e lutar para que os preços baixem", afirmou.

(Com informações da Agência EFE)

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