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Obstáculos

Cartes enfrentará impasses políticos

Os problemas mais urgentes a pesar sobre a agenda do presidente paraguaio recém-eleito são o Mercosul e a relação com a Venezuela

Convidado pelo presidente uruguaio, José Mujica, a participar da próxima reunião da cúpula do Mercosul, o mandatário Horacio Cartes demonstrou interesse em voltar para o bloco sul-americano | Jorge Adorno/Reuters
Convidado pelo presidente uruguaio, José Mujica, a participar da próxima reunião da cúpula do Mercosul, o mandatário Horacio Cartes demonstrou interesse em voltar para o bloco sul-americano (Foto: Jorge Adorno/Reuters)
Dilma: relações bilaterais |

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Dilma: relações bilaterais

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Mujica: cúpula do Mercosul

A relação difícil com a Venezuela e a reintegração ao Mercosul despontam como impasses na agenda do presidente eleito do Paraguai, Horacio Cartes. Suspenso do bloco sul-americano após o impeachment do ex-bispo Fernando Lugo, o país conta com a recuperação da força política para voltar a ter voz no cenário latino-americano.

Cartes já manifestou interesse em levar o Paraguai a retomar a cadeira no bloco comercial sul-americano e ontem foi convidado pelo presidente do Uruguai, José Mujica, para participar da próxima Cúpula do Mercosul que será realizada em Montevidéu, em junho.

A volta do Paraguai ao Mercosul e a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), organização da qual o país também foi afastado temporariamente, estava condicionada a uma eleição transparente e democrática e tende a se concretizar caso um entrave, chamado Venezuela, não atrapalhe.

Em outubro do ano passado, já sob o comando do atual presidente Federico Franco, o parlamento paraguaio reprovou o ingresso da Venezuela no bloco. Por isso, pode haver resistência de alguns países, inclusive o Brasil, na read­missão do Paraguai, apesar das declarações favoráveis de Mujica e da presidente argentina Cristina Kirchner.

Um novo pedido para o ingresso da Venezuela, agora dirigida por Nicolás Maduro, precisa ser votado pelo congresso. Se depender de Cartes, que durante a campanha declarou apoio a participação da Venezuela no Mercosul, e da disposição de Maduro, que já o cumprimentou pelas eleições, não haverá problemas.

No entanto, o discurso verbal de Cartes não vai resolver. Ele terá de lidar com o fato de o mandatário venezuelano, Nicolás Maduro, não ter boa receptividade no país. Quando era chanceler venezuelano, Maduro foi declarado persona non grata pelo parlamento paraguaio porque teria, nos bastidores, incitado militares à sair na rua para defender o então presidente Fernando Lugo, que passa por um processo de cassação.

Para o historiador Jorge Rubiani, o conflito entre Paraguai e a Venezuela vai continuar. E a rusga passa pela figura do presidente eleito Nicolás Maduro. "Há governos que vão aceitar Maduro, outros não", diz.

Paraguai terá de aceitar a entrada da Venezuela

Folhapress

A presidente Dilma Rousseff telefonou para cumprimentar o novo presidente do Paraguai, o colorado Horacio Cartes, no início da tarde de ontem. A ligação foi feita às 15 horas e durou cinco minutos. Segundo nota divulgada pela Presidência, Dilma "desejou um governo bem-sucedido e ressaltou a disposição para recompor as relações bilaterais e do Paraguai com o Mercosul".

A avaliação de integrantes do governo brasileiro é de que o Paraguai só deve retornar ao Mercosul após o Congresso de lá aprovar a adesão da Venezuela ao bloco, e depois de uma análise por parte dos países que integram o grupo econômico.

O Paraguai foi suspenso do Mercosul após a controversa deposição do então presidente Fernando Lugo, em junho passado. Na ocasião, Brasil, Argentina e Uruguai decidiram pela entrada da Venezuela à revelia do Paraguai, o único país que resistia à medida.

Segundo a reportagem apurou, observadores brasileiros baseados no país vizinho estão otimistas quanto as chances de readmissão, mas não preveem o retorno antes de agosto, mês da posse de Horacio Cartes.

Primeiro, afirmam interlocutores da presidente Dilma, é preciso saber o resultado da eleição do Senado para então avaliar se haverá maioria simpática à votação.

Para o Brasil, o Partido Colorado deve usar a morte de Hugo Chávez como pretexto para quebrar resistências no Congresso e encaminhar a proposta de adesão do país hoje governado por Nicolás Maduro. Esperam, ainda, que o próprio Horacio Cartes lidere uma ação interna para viabilizar a proposta.

Reconhecimento

O Brasil foi o último dos três países-fundadores do Mercosul a reconhecer oficialmente o novo presidente do Paraguai. Em seu Twitter, a presidente argentina, Cristina Kirchner, felicitou na noite de domingo o colorado e disse "esperá-lo no Mercosul".

"Seu lugar está ali no Mercosul junto a todos nós, como sempre", disse Cristina. "De novo estamos completos na América do Sul. É preciso."

Ela disse ter telefonado para o novo presidente paraguaio na noite de domingo. "Do outro lado da linha, escuto a voz de Horacio Cartes saudando-me com muita alegria", afirmou.

O presidente uruguaio, José Mujica, também telefonou para o vizinho. Segundo um comunicado da Presidência, Mujica convidou Cartes para a próxima cúpula do Mercosul, que será em junho, em Montevidéu. Disse ainda que pretende estar na posse do colorado.

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