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Cerveja marca cultura e identidade germânicas

União alemã de cervejeiros destaca a importância para o país de bebidas artesanais e até da relação delas com o futebol

Chanceler alemã Angela Merkel: com um caneco depois de discursar em Munique | Michaela Rehle/Reuters
Chanceler alemã Angela Merkel: com um caneco depois de discursar em Munique (Foto: Michaela Rehle/Reuters)

A União de Cervejeiros da Alemanha destacou nesta semana a importância da cerveja na cultura e na identidade do país e analisou a relação dela com o futebol e as novas tendências, como a bebida feita de maneira artesanal. Cerveja e Alemanha são dois termos que andam juntos, e não em vão – cada alemão consumiu em média 106,6 litros de cerveja no ano passado, segundo destacou a União de Cervejeiros em um encontro com a imprensa realizado nesta semana em Berlim.

Uma média que se eleva notavelmente se for combinado com outra das marcas do país germânico: o futebol. "Onde quer que seja somos conhecidos por duas coisas: o Bayern de Munique e a cerveja", declarou o diretor-executivo da União de Cervejeiros, Holger Eichele, destacando que no mês de junho, quando a Alemanha ganhou o título da Copa do Mundo, o consumo se elevou em 14%.

Apesar de no ano passado a venda de cerveja ter registrado seu nível mais baixo desde a reunificação alemã, em 1990, esta bebida já faz parte de sua história e cultura, e em dezembro do ano passado os cervejeiros solicitaram que seu "pão líquido" seja considerado Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Com cerca de 40 variedades e cinco mil marcas em todo o país, a cerveja alemã tem, além disso, um grande sentido local e cada região exibe orgulhosamente sua receita própria de água, malte, lúpulo e levedura.

Enquanto o sul se caracteriza pelas cervejas weizen elaboradas com levedura e trigo, o norte se decanta pelas pilsner, uma loira com baixo conteúdo de lúpulo.

No mapa cervejeiro alemão, a Renânia é um capítulo à parte. Em Colônia se produz a cerveja tipo kölsch, com menor teor alcoólico que a pilsner e que costuma ser bebida em copos de dois litros. Düsseldorf, por outro lado, prefere a alt, escura.

Entre as duas cidades, a preferência por um ou outro tipo de cerveja é uma questão de fé.

Tendência

Para mestre cervejeiro, "tempo" e "água boa" são itens determinantes

Na fábrica da Berliner-Kindl, onde são produzidas algumas das pilsner mais conhecidas da capital alemã, está claro que para fazer uma boa cerveja é preciso "tempo" e "água boa", segundo explicou o mestre cervejeiro Heiko Rohde.

Na fábrica que produz 1,5 milhão de hectolitros ao ano e onde trabalham 150 pessoas, são necessárias três semanas para o processo que envolve desde a chegada dos grãos até que o produto esteja pronto para o cliente.

Mas antes, enquanto a futura cerveja passa pelas distintas fases de maceração, cocção e fermentação, em outra fábrica as garrafas chegam em caixas para ser submetidas a um complexo e ruidoso processo de lavagem, recheamento, etiquetamento e selamento, com pouca supervisão humana. Um processo muito diferente do trabalho das pequenas cervejarias que fazem sua própria cerveja artesanal, uma tendência em alta proveniente dos Estados Unidos que cada vez mais atrai os adeptos da bebida em todo o mundo.

Para saciar a sede, em Berlim existem vários estabelecimentos que oferecem cervejas de fabricação própria, como o restaurante Lemke, debaixo dos arcos da estação do Hackesche Markt, que há 15 anos oferece cerveja produzida em uma pequena fábrica, acompanhada de pratos típicos germânicos.

Oliver Lemke, mestre artesão à frente do estabelecimento, assegurou que, na elaboração da cerveja artesanal, existem dois pontos muito importantes: "a experimentação e a inovação", que dão o sabor único que faz com que o cliente volte.

"Uma cervejaria é boa quando atrai muita gente", disse Lemke. Motivado, ele trabalha agora para engarrafar algumas das especialidades que faz para o público.

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