
A situação delicada pela qual passa o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, pode esconder um drama familiar envolvendo as filhas Rosa Virginia e María Gabriela. De acordo com o jornal espanhol El Mundo, elas teriam posições diferentes quanto a uma eventual ordem de desligar, ou não, os aparelhos que estariam mantendo o líder venezuelano vivo.
Sobre a saúde de Chávez, a cúpula de governo informou na semana passada que ele teria sofrido insuficiência respiratória durante a recuperação da quarta cirurgia a que foi submetido no tratamento contra o câncer de pélvis, realizada em Cuba, onde se encontra o mandatário. O periódico espanhol ABC especulou também que ele estaria em coma induzido.
Crise
A provável transição de poder na Venezuela passa por uma crise. Na quintafeira, Chávez, reeleito em outubro, deveria reassumir o cargo, conforme a legislação do país, mas dificilmente voltará para a solenidade.
A oposição considera recorrer ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), principal corte do país, para questionar a legitimidade de o vice-presidente, Nicolás Maduro, seguir no posto a partir desta data.
Por uma manobra do governo, ele deve seguir como presidente, embora a Constituição diga que, sem a posse, nova eleição precisa ocorrer dentro de 30 dias.
O caso do vice, no entanto, é diferente. Na Venezuela, ele não é eleito, como no Brasil, mas nomeado pelo presidente. No entendimento da oposição, Maduro precisaria ter sua função revalidada por Chávez.
"Todos os cargos expiram com o fim do mandato presidencial em 10 de janeiro", afirma Gerardo Blyde, advogado constitucionalista e prefeito pela oposição de Baruta, um dos municípios que formam Caracas.
O alinhamento do TSJ ao governo e declarações recentes da presidente do órgão, Luisa Estela Morales, sinalizam ser pouco provável que os opositores tenham êxito.
Os governistas têm insistido que a "continuidade" administrativa da gestão de Chávez e a vontade popular expressa em sua reeleição em outubro passado são o que realmente importa.



