Publicidade
Mediação dos EUA

Chavismo e oposição dão primeiros passos para transição política na Venezuela

A ditadora interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, substituiu Nicolás Maduro após a operação dos EUA em Caracas, em janeiro. (Foto: Miguel Gutiérrez/EFE)

Ouça este conteúdo

O chavismo e um grupo da oposição venezuelana iniciaram um diálogo nesta quinta-feira, mediado pelos EUA, dando os primeiros passos para abordar diversas questões, incluindo a transição política no país sul-americano, sete meses após a captura do ditador Nicolás Maduro por tropas americanas.

As delegações, lideradas pelo presidente da Assembleia Nacional e principal negociador do governo, Jorge Rodríguez, chavista, e pela ex-deputada da oposição Dinorah Figuera, concordaram em trabalhar em uma primeira rodada de negociações até 12 de agosto, após se reunirem na Base Aérea de La Carlota, em Caracas. Lá, definiram a metodologia, as fases de trabalho e ratificaram a agenda de temas a serem abordados neste processo.

Em uma declaração conjunta publicada nas redes sociais, ambos os lados endossaram os princípios do respeito à soberania nacional, da negociação de boa-fé e da busca de benefícios para a Venezuela, uma solução política pacífica, democrática e constitucional, bem como o reconhecimento e o respeito mútuos entre as partes.

Eles também concordaram com a igualdade política e o tratamento igualitário na mesa de negociações, o cumprimento verificável dos compromissos e a proteção dos direitos humanos e políticos de todas as partes.Da mesma forma, as partes se comprometeram a manter todo o país informado sobre o progresso alcançado nessas negociações.

A Agenda

O encontro presencial ocorreu após o início do processo no último fim de semana, com uma ligação telefônica entre Rodríguez e Figuera, que conta com o apoio dos EUA.

Figuera está acompanhado à mesa pelos ex-parlamentares da oposição Marco Aurelio Quiñones, Ramón López, Jorge Millán, Juan Miguel Matheus, Sergio Vergara e Desiree Barboza.

O regime interino de Delcy Rodríguez é representado pela ministra da Educação Superior, Ana María Sanjuán; pelo primeiro vice-presidente do Parlamento, Pedro Infante; e pelos parlamentares América Pérez, Génesis Garvett e Jorge Arreaza, além de Jorge Rodríguez, irmão da líder chavista.

Figuera chegou à Venezuela na última quarta-feira e informou à imprensa local que as negociações abordariam questões como a reestruturação do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) — atualmente controlado pelo regime chavista — para torná-lo "credível e confiável", a reinstitucionalização do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) e a "garantia dos direitos políticos e civis".

Segundo Figuera, o processo também incluiria o enfrentamento das consequências do duplo terremoto de 24 de junho, que deixou mais de 6.000 mortos.

Após iniciar o diálogo em Caracas, a delegação da oposição afirmou que esse processo se traduziria em resultados concretos que atendessem às necessidades dos venezuelanos e pavimentassem o caminho para um "futuro de liberdade, reconciliação e desenvolvimento".

EUA falam em "oportunidade única" para a Venezuela

O governo dos EUA celebrou o início das negociações presenciais entre o regime chavista e o grupo de oposição, definindo o diálogo como uma "oportunidade única" para a reconciliação e a transição no país sul-americano.

Por meio de um comunicado, o Departamento de Estado afirmou que permanece comprometido em apoiar esse processo, que faz parte do plano de três fases definido por Washington, abrangendo a estabilização da Venezuela, a recuperação econômica e a transição democrática. Além disso, instou todas as partes interessadas a apoiarem esse esforço para alcançar resultados tangíveis para os venezuelanos.

A maior coalizão de oposição da Venezuela, a Plataforma Democrática Unitária (PUD), expressou sua esperança de que essas negociações gerem "progresso real" para o país, apesar de seus líderes, María Corina Machado e Edmundo González Urrutia, não terem participado do diálogo inicial.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.