O espírito de Thomas Sankara (19491987), político conhecido como "Che Guevara africano", está por trás dos protestos que derrubaram o presidente de Burkina Fasso, Blaise Compaoré. Convocado constantemente como inspiração na revolução, após três dias de manifestações intensas, o povo conseguiu derrubar o ex-líder, que em outubro de 1987 matou Sankara para tomar o poder num golpe de Estado.
Os burquinenses tornaram a figura do antigo presidente muito presente durante todo o processo, tanto nas ruas como nas redes sociais, onde mensagens nostálgicas lembravam o homem considerado um herói nacional.
Entre as mensagens no Twitter, algumas diziam: "O espírito de Sankara sempre perseguirá Blaise Compaoré"; "Ele nos tirou um dos poucos bons filhos desta pátria"; "A revolução deve continuar onde Sankara a deixou".
As palavras do ex-presidente "Pátria ou morte, venceremos" , que aparecem no hino nacional que ele próprio escreveu, foram utilizadas pela oposição para exigir a renúncia de Compaoré.
Admirador de Che Guevara, Nelson Mandela e Fidel Castro, Sankara, com 34 anos, liderou em 4 de agosto de 1983 um golpe de Estado com apoio popular do país que, apesar de conseguir a independência da França em 1960, permanecia sob o domínio da antiga metrópole.
"O objetivo da revolução é que o povo exerça o poder", dizia Sankara, o mesmo defendido durante os protestos vividos na última semana, que acabaram com mais de 30 mortos e 200 feridos, segundo os partidos de oposição.
Foi Sankara que mudou o nome colonial de República do Alto Volta por Burkina Fasso, palavra resultado da combinação dos dois idiomas majoritários no país. Burkina, que significa "íntegro" na língua Mooré; e Fasso, que se traduz como "pátria" em Dyula.



