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Por nomeação de embaixador

Chefe de gabinete do Reino Unido renuncia após novas revelações do caso Epstein

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer (Foto: EFE/EPA/ANDY RAIN)

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Morgan McSweeney, chefe de gabinete do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, de esquerda, renunciou neste domingo (8) por seu seu papel na nomeação de Peter Mandelson como embaixador nos Estados Unidos, após revelações do caso Epstein. Novos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça americano mostram que Mandelson, de 72 anos, destituído em setembro passado do cargo diplomático mais importante da Grã-Bretanha, tinha vínculos de anos com o financista e pedófilo condenado Jeffrey Epstein.

"A decisão de nomear Peter Mandelson (em fevereiro de 2025) foi equivocada. Prejudicou nosso partido, nosso país e a confiança na própria política", disse McSweeney, até então o principal assessor de Downing Street e considerado o artífice da vitória eleitoral de Starmer nas eleições gerais de julho de 2024. "Quando fui consultado, aconselhei o primeiro-ministro a fazer essa nomeação e assumo total responsabilidade por isso", completou, por meio de comunicado.

O militante trabalhista, cuja renúncia foi exigida nos últimos dias até mesmo por alguns de seus correligionários, disse que continua apoiando o premiê e que "trabalha todos os dias para reconstruir a confiança, restaurar os padrões públicos e servir ao Reino Unido".

McSweeney também reconheceu em sua nota que é preciso melhorar o processo de seleção de cargos públicos e pediu que se recorde, sobretudo, das vítimas de Epstein, morto na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico de menores.

Pressão

Nos últimos dias, numerosos deputados trabalhistas pediram a demissão do influente ativista, a quem responsabilizam por cometer um erro catastrófico ao defender a nomeação do ex-ministro Peter Mandelson como embaixador em Washington, quando já se sabia de sua relação com o pedófilo americano.

A polícia investiga atualmente o também ex-comissário europeu de Comércio para determinar se ele cometeu crime ao vazar para Epstein, em 2009, informações confidenciais do governo do então primeiro-ministro trabalhista Gordon Brown.

O independentista Partido Nacional Escocês (SNP) e o Partido Verde, assim como políticos de todas as legendas, pediram ainda a renúncia de Starmer, que na última sexta garantiu que se manterá no cargo para cumprir seu mandato.

Segundo uma pesquisa do instituto Opinium divulgada neste domingo, 55% dos britânicos acreditam que o primeiro-ministro deveria renunciar, embora vários ministros tenham saído em sua defesa e, presumivelmente, Downing Street espere que a saída de McSweeney o proteja por enquanto no cargo.

Na quarta-feira (4), o primeiro-ministro britânico admitiu que tinha conhecimento das ligações mantidas pelo ex-ministro e ex-embaixador nos Estados Unidos Peter Mandelson com o financista Jeffrey Epstein quando o indicou para o cargo diplomático em Washington. A declaração foi feita durante a sessão semanal de perguntas ao primeiro-ministro no Parlamento, segundo informações do jornal The Guardian.

“Ele mentiu repetidamente à minha equipe quando questionado sobre sua relação com Epstein antes e durante seu período como embaixador”, declarou Starmer, segundo o Guardian. O primeiro-ministro disse ainda que se arrepende da nomeação e afirmou que, se tivesse conhecimento do que veio à tona posteriormente, Mandelson “nunca teria chegado perto do governo”.

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