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Separatismo

China acusa o Dalai Lama de ligações com a CIA

A China acusou na quarta-feira, num comentário oficial, o Dalai Lama de colaborar com a CIA (agência de inteligência americana), num sinal de rejeição às aproximações do líder tibetano.

O Dalai Lama, que fugiu de sua terra natal em 1959 depois de um levante frustrado contra o domínio chinês, propôs uma política de "meio termo" que desse ao Tibete autonomia, mas não independência.

Mas a edição online do "China Daily", porta-voz do governo chinês em língua inglesa, rebateu a tentativa do Dalai Lama, num comentário publicado sem assinatura.

"Em nome das 'tropas armadas organizadas para conquistar à força a volta ao Tibete', ele colaborou com o Exército indiano e com a CIA americana, para organizar as 'tropas especiais de fronteira indo-tibetanas", disse o comentário, sem dar mais detalhes.

Segundo uma reportagem publicada pelo Chicago Tribune em 1997, a CIA treinou cerca de 400 exilados tibetanos em bases militares do Colorado, de Okinawa e de Guam pouco depois da fuga do Dalai Lama, dentro da guerra de guerrilhas contra a China, país que ocupou o Tibete em 1950.

Os guerrilheiros foram levados de volta ao Tibete de pára-quedas, onde deram início a uma campanha malsucedida contra os comunistas. O envolvimento americano acabou em 1968, antes da detente entre os dois gigantes.

O texto do "China Daily" acusou o Dalai Lama, detentor do Nobel da Paz, de criar um exército rebelde em Nepal e de estabelecer escritórios e organizações no exterior para incentivar o separatismo.

"O que ele quer é uma fraude, e não há nada entre sua 'autonomia de alto nível' e a 'independência tibetana"', disse o texto.

Um porta-voz do governo tibetano no exílio, que tem sua sede no norte da Índia, insistiu que o "meio termo" é a melhor política para solucionar a questão.

- É lamentável que o 'Daily' tenha questionado a sinceridade de Sua Santidade o Dalai Lama - disse Thubten Samphel. - Ainda esperamos que os líderes chineses, em sua sabedoria, percebam e compreendam logo que a abordagem do meio termo é o melhor modo de proteger os interesses da China e a identidade cultural do povo tibetano - disse ele.

A diatribe complica ainda mais as negociações entre Pequim e os enviados do Dalai Lama, que foram retomadas em 2002.

"É fácil ver a motivação do Dalai Lama: acabar conquistando a independência tibetana", disse o comentário no jornal. "Se o Dalai Lama é sincero na intenção de melhorar as relações com o governo central, ele precisa, antes de tudo, ter uma compreensão objetiva da realidade política do Tibete", afirmou o texto.

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