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Regime comunista

China amplia censura, persegue críticos e reprime minoria religiosa, diz HRW

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O ditador da China, Xi Jinping. (Foto: Vincent Thian/EFE/EPA)

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O regime comunista da China ampliou a censura, intensificou a perseguição a críticos do governo e reforçou a repressão contra minorias religiosas e outros grupos sociais, segundo o relatório anual divulgado nesta quarta-feira (4) pela organização Human Rights Watch (HRW).

De acordo com o documento, as autoridades chinesas seguem “negando de forma sistemática” as liberdades de expressão e de associação, utilizando mecanismos de vigilância, censura digital e o próprio sistema legal para punir dissidentes, críticos do regime e do Partido Comunista Chinês.

Segundo a HRW, o endurecimento do controle ideológico foi acompanhado por políticas de assimilação forçada no Tibete e em Xinjiang, além da imposição de um regime de segurança nacional classificado como repressivo em Hong Kong, com impacto direto sobre manifestações pacíficas, a imprensa e a vida cultural.

No caso de Xinjiang, a organização afirma que não houve qualquer prestação de contas pelos abusos denunciados nos últimos anos. De acordo com o relatório, “várias centenas de milhares” de uigures - minoria étnica muçulmana - permanecem detidos de forma injusta, em um contexto que a HRW segue classificando como crimes contra a humanidade — acusação rejeitada pela ditadura comunista chinesa.

O relatório aponta que a China mantém um dos sistemas de vigilância e censura mais rigorosos do mundo. Como exemplo, a HRW cita a condenação, em janeiro do ano passado, do cineasta Chen Pinlin a três anos e meio de prisão pelo crime de “provocar brigas e criar problemas”, após a produção de um documentário sobre os protestos de 2022 contra a política de “Covid zero”.

A organização também menciona a sentença de três anos imposta, em fevereiro do ano passado, ao editor taiwanês Fu Cha por “incitar o separatismo”, além da condenação, em julho do ano passado, do ativista Peng Lifa a nove anos de prisão por pendurar faixas pró-democracia em uma ponte de Pequim.

Segundo a HRW, as autoridades continuam reprimindo qualquer tentativa de memória pública sobre o Massacre da Praça da Paz Celestial, ocorrido em 1989, tanto na China continental quanto em Hong Kong. Ao mesmo tempo, atos organizados por comunidades da diáspora chinesa ocorreram em dezenas de cidades fora do país.

O relatório também alerta para o aumento da chamada “repressão transnacional”, com pressões sobre comunidades chinesas no exterior e ações de intimidação contra familiares de ativistas que permanecem na China.

No recorte regional, a HRW afirma que no Tibete persistem políticas que forçam a assimilação cultural e linguística. A organização lembra que o presidente chinês, Xi Jinping, declarou em agosto que o budismo tibetano deve “se adaptar à sociedade socialista”.

Em Hong Kong, segundo o documento, o uso recorrente das leis de segurança nacional resultou em centenas de detenções desde 2020, conforme números oficiais citados pela organização, além de restrições a meios de comunicação, editoras, atividades acadêmicas e culturais.

A HRW também denuncia um controle rigoroso sobre a liberdade religiosa, com permissão oficial para apenas cinco credos e repressão a comunidades não registradas, incluindo grupos católicos e protestantes independentes. O relatório menciona ainda discriminação persistente contra mulheres, censura a discursos feministas e restrições a pessoas LGBTQIAPN+, apesar de uma “maior aceitação social”.

“O governo chinês sob Xi Jinping acumulou um histórico de direitos humanos cada vez mais desastroso, ampliando e aprofundando a repressão de liberdades fundamentais”, afirmou a subdiretora para a Ásia da HRW, Maya Wang, na apresentação do relatório.

O regime chinês nega reiteradamente as acusações de abusos de direitos humanos e sustenta que suas políticas têm como objetivo garantir estabilidade, desenvolvimento e segurança nacional.

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