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Comunismo

China anuncia reforma nas regras para licença-moradia

O premier da China, Wen Jiabao, anunciou ontem a es­­perada revisão, ainda que gradual, de um cinquentenário sistema que regula o local de moradia de cidadãos e na prática divide a população rural e urbana no país – o "hukou’’, considerado um dos fatores centrais no aumento da desigualdade social.

Em discurso de duas horas que marcou a abertura do ano legislativo, Wen alertou, no entanto, que a China "continuará sua urbanização de ca­­racterística comunista e promoverá uma interação com a construção de uma nova sociedade rural’’.

Criado em 1958 para evitar o êxodo em massa para as ci­­dades, o sistema do "hukou’’ atre­­la os chineses a seus locais de origem, permitindo ao go­­verno controlar o fluxo migratório interno de acordo com o padrão de desenvolvimento delineado.

Na prática, porém, o sistema torna imigrantes que acorrem às cidades em busca de melhores condições econômicas cidadãos de segunda classe, sem acesso a serviços de educação para os filhos, saúde, habitação e segurança so­­cial disponíveis para os chineses com licença.

Estima-se em 180 milhões as pessoas nessa condição atualmente, contribuindo para agravar o quadro de insatisfação pela crescente disparidade entre as populações da cidade e do campo – mais da metade do 1,3 bilhão de chineses, po­­rém com renda até cinco vezes menor.

A reforma do "hukou’’ é uma das maiores demandas sociais no país. Nesta semana, 11 jornais cobraram alterações na legislação em editorial conjunto.

Segundo Wen, as novas me­­didas, que não foram detalhadas, serão inicialmente aplicadas em pequenas e médias ci­­dades, numa tentativa de conter migrações para centros ur­­banos como Pequim e Xangai.

Minorias étnicas

No discurso de abertura do Congresso Nacional do Povo, centrado em questões econômicas, o premiê abordou também o tema dos conflitos ét­­nicos, que tiveram repercussão internacional após a morte de centenas em distúrbios no Tibete e em Xinjiang – uma província de minoria muçulmana.

"Precisamos repelir as tentativas de dividir a nação, salvaguardar a unidade nacional e fazer as minorias étnicas e as pessoas de todos os grupos ét­­nicos que vivem em re­­giões de minorias se sentirem acolhidos numa grande família’’, disse.

No pronunciamento a 3.000 delegados do Partido Comu­­nista – que é comparado ao Estado da União americano e realizado sob forte esquema de segurança –, Wen pregou ainda o combate à corrupção, criticou o distanciamento da burocracia estatal da população e defendeu a assinatura de acordo comercial com Taiwan, que a China considera uma Província rebelde.

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