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“Isso soa como comércio livre ou justo? Não, parece um COMÉRCIO ESTÚPIDO”, publicou Trump no Twitter. | NICHOLAS KAMM/
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“Isso soa como comércio livre ou justo? Não, parece um COMÉRCIO ESTÚPIDO”, publicou Trump no Twitter.| Foto: NICHOLAS KAMM/ AFP

A China intensificou seus ataques contra o governo dos Estados Unidos nesta segunda-feira (9) devido a bilhões de dólares em ameaças de tarifas, dizendo que Washington seria o culpado pelos atritos comerciais e repetindo que é impossível negociar sob as circunstâncias atuais.  

As declarações foram dadas depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, previu no domingo (8) que a China deve retirar suas barreiras comerciais, e expressou otimismo de que ambos os lados podem resolver a questão através de negociações.  

Pesquisadores estatais chineses e a mídia minimizaram o possível impacto das medidas comerciais dos EUA sobre a segunda maior economia do mundo e descreveram a postura do governo americano sobre o comércio como o produto de um "distúrbio de ansiedade".  

"Sob as atuais circunstâncias, ambos os lados não podem ter negociações sobre essas questões", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang, a repórteres.  

"Os Estados Unidos, por um lado, têm a ameaça de sanções e, ao mesmo tempo, dizem que estão dispostos a conversar. Não tenho certeza sobre para quem os Estados Unidos estão fazendo esse número", disse Geng.  

Os atritos comerciais devem-se "inteiramente à provocação dos EUA", completou.  

Nesta segunda, Trump afirmou que a relação comercial entre EUA e China é estúpida.  

"Quando um carro é enviado para os Estados Unidos da China, há uma tarifa a ser paga de 2,5%. Quando um carro é enviado para a China dos Estados Unidos, há uma tarifa a ser paga de 25%. Isso soa como comércio livre ou justo? Não, parece COMÉRCIO ESTÚPIDO - acontecendo há anos!", disse em uma postagem em sua conta no Twitter.

Pequim não queria disputar uma guerra comercial, mas não tem medo de uma, afirmou o vice-ministro de Comércio, Qian Keming, no Fórum Boao para Ásia.  

O foco nesta semana estará no fórum, com o presidente chinês, Xi Jinping, e a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, dando discursos na terça-feira (10).  

Grande muro de negação  

A ação dos EUA de ameaçar a China com tarifas sobre bens chineses visava forçar Pequim a lidar com o que Washington diz ser roubo de propriedade intelectual e transferência forçada de tecnologia de empresas dos EUA para concorrentes chineses.  

Pequim alega que Washington é o agressor e está estimulando o protecionismo global, embora os parceiros comerciais da China reclamem há anos que o país abusa das regras da OMC (Organização Mundial do Comércio) e pratica políticas industriais injustas que bloqueiam empresas estrangeiras de setores cruciais com a intenção de criar gigantes nacionais.  

Depois de repetidas promessas feitas por Pequim de abrir setores como o de serviços financeiros terem mostrado pouco progresso, Trump tem dito que os Estados Unidos não vão mais permitir que a China se aproveite do país com o comércio.  

"A reação da China à defesa legítima de Trump da pátria norte-americana é uma Grande Muralha de negação -apesar das evidências incontestáveis dos comportamentos ilícitos e protecionistas de Pequim", disse o assessor de comércio da Casa Branca, Peter Navarro, em um comentário publicado no jornal Financial Times.  

"Nada menos do que o futuro econômico dos EUA está em risco com a agressão da China à tecnologia e propriedade intelectual da América, e sua tentativa mercantilista de capturar indústrias emergentes de alta tecnologia", disse ele.  

Impacto será limitado  

Um pesquisador da agência de planejamento estatal da China disse que a economia chinesa sentirá pouco impacto da disputa, já que seu vasto mercado interno pode compensar qualquer impacto externo.  

Mesmo com as tarifas dos EUA, a China ainda pode alcançar sua meta de crescimento do PIB em 2018 de cerca de 6,5% e o impacto sobre o emprego será limitado, escreveu Wang Changlin, pesquisador da Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento, em um post no microblog oficial da comissão.

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