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Segurança internacional

China deixa dúvida sobre apoio ao Brasil no Conselho da ONU

Durante visita a Pequim, Dilma evita falar da onda de repressão desencadeada pelo governo chinês a opositores do regime

Dilma Rousseff e Hu Jintao passam em revista a guarda de honra chinesa, em Pequim: mensagem dúbia sobre vaga brasileira no Conselho de Segurança da ONU e silêncio sobre direitos humanos na China | AFP
Dilma Rousseff e Hu Jintao passam em revista a guarda de honra chinesa, em Pequim: mensagem dúbia sobre vaga brasileira no Conselho de Segurança da ONU e silêncio sobre direitos humanos na China (Foto: AFP)

Os presidentes da China, Hu Jintao, e do Brasil, Dilma Rousseff, divulgaram ontem uma mensagem dúbia sobre o apoio chinês à reivindicação brasileira por uma vaga permanente no Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas.

Em comunicado conjunto, Pe­­quim se limitou a apoiar "a aspi­­ração brasileira de vir a desempenhar papel mais proeminente nas Nações Unidas’’. O governo bra­­sileiro, por meio da Agência Brasil, divulgou que Hu Jintao "defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU" sem afirmar, no entanto, que a China apoia a destinação de um assento permanente ao Brasil no órgão.

A China, um dos cinco membros permanentes do CS, tem mantido o discurso de que a reforma da ONU precisa ser mais ampla e consensual. Na prática, trabalha contra as candidaturas de Japão e Índia, países com quem mantém disputas históricas e que são aliados do Bra­­sil no G4 – grupo, que inclui a Alemanha, que busca ascender no CS.

De acordo com um dos negociadores do documento divulgado ontem, o Estado chinês evitou, com isso, uma saia-justa em relação ao Japão.

Na avaliação de um alto funcionário do Itamaraty, esta foi a segunda vitória de Dilma, em pou­­co mais de um mês, referente ao te­­ma. Durante a visita do presidente dos EUA, Barack Obama ao Brasil, o governo americano concordou em deixar ex­­presso, no comunicado final, seu "apreço" pela candidatura brasileira.

Direitos humanos

Na parte de direitos humanos, o documento diz que os dois países "fortalecerão consultas bilaterais" e "promoverão o intercâmbio de experiências e boas práticas", mas sem elaborar. O tema voltou a ser tratado no item 25: fala-se em "promover o desenvolvimento, a democracia, os direitos humanos e a justiça social’’. "Eu queria di­­zer, encerrando, que nós tivemos a mesma manifestação sobre di­­reitos humanos que tivemos com os EUA", afirmou Dil­­ma, em rápida entrevista coletiva.

"Todos os países têm problemas de direitos humanos. Nós temos problemas de direitos hu­­manos, todos os países têm. A nossa posição sobre direitos humanos, nessa questão, está expressa na nossa nota conjunta’’, acrescentou.

Orientada pelo Itamaraty, a presidente não fez até agora de­­clarações sobre a atual onda de re­­pressão chinesa contra dissidentes políticos. O caso mais re­­cente foi no dia 3, quando o reputado artista Ai Weiwei foi preso no aeroporto de Pequim ao embarcar para Hong Kong. A prisão tem pro­­vo­­cado vários protestos, in­­cluindo União Europeia e Ale­­manha.

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Interatividade:

Qual a posição que a presidente Dilma deve adotar em relação às medidas repressivas do governo chinês contra opositores?

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