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China executa 11 acusados de integrar quadrilha de fraude cibernética de Mianmar

Vítimas chinesas de golpes em call centers ilegais em Mianmar embarcam em um avião na Tailândia para voltarem ao país-natal, após serem resgatadas, em fevereiro do ano passado (Foto: SOMRERK KOSOLWITTHAYANANT/EFE/EPA)

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A China executou nesta quinta-feira (29) 11 pessoas acusadas de serem membros de uma quadrilha de cibercriminosos que operava em Mianmar, conhecida como Grupo Criminoso da Família Ming. Elas haviam sido condenadas à pena de morte em setembro do ano passado por um tribunal na cidade de Wenzhou, no leste do país.

Entre os executados, estavam “membros-chave” dessas redes, segundo a agência de notícias oficial Xinhua.

No mesmo julgamento, o tribunal também proferiu cinco penas de morte suspensas por dois anos (ou seja, não serão aplicadas se os condenados cumprirem condições impostas pela Justiça durante esse período), 11 sentenças de prisão perpétua e 12 sentenças que variam de cinco a 24 anos de prisão por crimes que incluem fraude, homicídio doloso e lesão corporal dolosa, em um total de 14 acusações criminais.

O tribunal considerou comprovado que, desde 2015, um grupo organizado em torno de membros da chamada família Ming usou sua influência na região de Kokang, em Mianmar, e seu controle sobre forças armadas aliadas para estabelecer diversos centros operacionais em localidades como Laukkai.

Segundo a sentença, esses centros serviam para recrutar e fornecer cobertura armada para “investidores” ou “patrocinadores”, cujos grupos praticavam fraudes em telecomunicações e na internet, abriam cassinos, traficavam drogas e organizavam redes de prostituição.

O tribunal observou que o capital envolvido nas atividades de jogos de azar e fraude ultrapassava 10 bilhões de yuans (R$ 7,48 bilhões).

Também apontou que pessoas ligadas aos golpes que tentaram fugir ou resistiram às ordens foram mortas ou feridas, resultando em dez mortes e dois feridos.

Os centros de fraude cibernética proliferaram em Mianmar nas áreas de fronteira com a China após o golpe de fevereiro de 2021, que criou grande instabilidade no país e facilitou as atividades de todos os tipos de grupos do crime organizado.

Em 2023, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês) divulgou um relatório que apontou o crescimento desse tipo de golpe no sudeste asiático.

Segundo o UNODC, situações em que pessoas são enganadas para serem obrigadas a cometer crimes já representavam 10,2% de todos os casos de tráfico de pessoas relatados em todo o mundo.

No sudeste asiático, países como Camboja, Laos e Mianmar concentram grandes estruturas para prática de crimes cibernéticos, dentro de cassinos, hotéis e empresas, “onde as vítimas são confinadas e forçadas a cometer ou ser cúmplices de crimes cibernéticos”, segundo o relatório.

De acordo com as Nações Unidas, pelo menos 120 mil pessoas estão detidas em centros em Mianmar, onde são forçadas a realizar golpes online, enquanto no Camboja, o outro epicentro desses crimes, o número é estimado em cerca de 100 mil.

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Conteúdo editado por: Fábio Galão

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