
A cientista Julie Elie, da Universidade da Califórnia, recebeu o prêmio Coller-Dolittle 2026, no valor de US$ 100 mil, após decodificar as 11 principais vocalizações do tentilhão-zebra. O estudo utilizou inteligência artificial para mapear como essas aves anunciam identidade e atividades. A descoberta impulsiona o uso da tecnologia para viabilizar a comunicação humana com o reino animal.
Como a cientista conseguiu entender o que os pássaros estavam dizendo?
Durante mais de uma década, a pesquisadora Julie Elie observou e gravou milhares de sons emitidos pelo tentilhão-zebra, conhecido no Brasil como mandarim. Para organizar essa enorme quantidade de dados, ela utilizou técnicas de aprendizado de máquina, um tipo de inteligência artificial que consegue encontrar padrões ocultos em grandes volumes de informação. Com essa tecnologia, foi possível identificar como as informações estavam codificadas nos sons e criar uma espécie de dicionário com as 11 'palavras-chave' mais utilizadas pela espécie para se comunicar no dia a dia.
De que forma os testes práticos confirmaram as descobertas científicas?
Após criar o dicionário com o auxílio da inteligência artificial, a cientista consultou os próprios pássaros para validar os resultados. Em um experimento engenhoso, as aves ouviam sons de seu repertório ao pressionar um botão. Algumas vocalizações davam direito a sementes, enquanto outras não ofereciam nada. Os pássaros rapidamente aprenderam a identificar quais sons eram inúteis e tentavam 'pular' essas faixas para chegar às recompensas. Isso provou que os animais interpretavam os significados exatamente da mesma forma que a classificação feita pelas máquinas indicava inicialmente.
Qual é o papel da inteligência artificial no futuro da comunicação com animais?
Os avanços recentes na área de inteligência artificial trouxeram uma esperança real de que a humanidade consiga, em um futuro próximo, se comunicar de forma coerente com diversas espécies. Instituições como a Earth Species Project trabalham para desenvolver ferramentas que traduzam desde primatas até vermes. Especialistas acreditam que a IA está avançando tão rápido que decifrar os códigos de comunicação animal será inevitável até 2030. O sistema funciona de forma parecida com a tradução de línguas humanas desconhecidas, encontrando lógica e estrutura em sons que antes pareciam aleatórios.
Quais outras tecnologias estão ajudando a ouvir o que é inaudível para nós?
Além dos sistemas de IA, o uso de microfones especiais está abrindo fronteiras inéditas no mundo animal. Esses aparelhos conseguem captar frequências que o ouvido humano não alcança, como os sons ultrassônicos dos morcegos, que chegam a 212 kHz, enquanto nós paramos nos 20 kHz. Tecnologias similares já permitiram descobrir que golfinhos usam assobios com funções parecidas com as palavras humanas e que elefantes emitem sons extremamente baixos para se comunicar. Esses avanços tecnológicos permitem que cientistas identifiquem chamados de acasalamento e sinais de alerta invisíveis.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.




