Um clérigo muçulmano radical que liderou a luta pela lei islâmica no vale de Swat, no Paquistão, iniciou uma "marcha de paz" na quarta-feira, para persuadir o Taliban a parar de atacar, dois dias depois de chegar a um acordo com o governo.
Maulana Sufi Mohammad foi libertado no ano passado, depois de passar seis anos na prisão por liderar milhares de rebeldes no Afeganistão, na vã tentativa de ajudar o Taliban a repelir as forças apoiadas pelos Estados Unidos.
O governo libertou o rebelde, na esperança de que, depois de chegar a um acordo com Mohammad, ele pudesse persuadir seu genro, Maulana Fazlullah, um homem ainda mais radical, a suspender uma insurreição que começou em meados de 2007.
"A presença de Maulana Sufi Mohammad aqui é uma bênção para o povo de Swat, já que podemos ter esperança de paz para o vale", disse Zahoor Ahmed, fazendeiro que saiu de um vilarejo vizinho para se juntar à marcha.
"Estamos confiantes de que convenceremos os militantes de Maulana Fazlullah a abandonar as armas."
Analistas dizem que, embora Mohammad seja respeitado, há temores de que Fazlullah possa ter ser mais influenciado por outras facções do Taliban e pela Al Qaeda.
Autoridades norte-americanas expressaram descontentamento para as autoridades paquistanesas, por causa da decisão do governo de atender às demandas implantação da lei islâmica, a Sharia, além de acelerar a justiça na região.
Elas temem que isso encoraje o Taliban a acreditar que sua militância será bem sucedida tanto no Paquistão quanto no Afeganistão, onde o presidente norte-americano, Barack Obama, começou a reforças a presença de tropas.
Mas o Paquistão está sob imensa pressão, na área doméstica.
Entre 250 mil e 500 mil pessoas fugiram de Swat desde que Fazulullah lançou sua campanha de violência, e pelo menos 1.200 civis foram mortos na região, que fica a apenas 130 km da capital, Islamabad, e já foi um paraíso turístico.



