
Estocolmo - Depois de insistir em diversos fóruns internacionais por uma vaga no Conselho de Segurança da ONU, o Brasil agora usa o clima como moeda para elevar seu protagonismo internacional.
Na cúpula entre Brasil e União Europeia, realizada ontem pela manhã na Suécia, o presidente Lula contabilizou vitórias nessa área. Primeiro, o premier sueco, Fredrik Reinfeldt, que ocupa a presidência semestral do Conselho Europeu, anunciou uma nova reunião entre Brasil e União Europeia para novembro, para que as duas partes negociem previamente o acordo climático que deve ser assinado durante a cúpula do Clima da ONU, entre 7 e 18 de novembro. A ideia foi de Lula, que agora insiste para que outros chefes de Estado compareçam à Dinamarca em dezembro. Ele já se comprometeu em ir.
Outra vitória da "política climática" brasileira foi o apoio do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, à proposta do presidente Lula para obrigar os países a divulgar suas emissões, sob a tutela da ONU. "Eu tenho reivindicado que as Nações Unidas sejam a referência para balizar os números. Quanto que os Estados Unidos emitem de gás de efeito estufa, quanto eles sequestram de gás carbônico", disse Lula ao desembarcar em Estocolmo, na noite de segunda-feira. "Minha proposta é cada um chegar a Copenhague dizendo: eu vou ser responsável por isso", disse o presidente a jornalistas após a reunião de cúpula, ontem.
Barroso assinou embaixo: "Era bom que tivéssemos o máximo possível de transparência, não apenas quanto à emissão de gases, mas na maneira como podemos definir a trajetória para sua redução".
Lula criticou o pleito americano para tomar como base no estabelecimento de metas as condições atmosféricas de 2005, enquanto a União Europeia adotou o ano de 1990. O Brasil, por ser país emergente, não é pressionado a adotar metas de redução de emissões.
Amazônia
Tradicionalmente cobrado para combater o desmate da Amazônia, o presidente Lula foi realista durante a cúpula de Estocolmo. Questionado sobre a pressão de ambientalistas por desmatamento zero, disse que "nem se o Brasil fosse careca poderia assumir isso, porque sempre vai ter alguém que vai cortar alguma coisa". Mas Lula aproveitou para defender suas metas, anunciadas durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro. A proposta que o Brasil leva a Copenhague é reduzir o desmatamento em 70% até 2017 e 80% até 2020, em relação aos dados de 1990.
A União Europeia diz querer participar desse esforço e cobra a inclusão de projetos florestais no acordo de Copenhague. "Um novo tratado deverá conter um mecanismo garantindo o manejo sustentável de florestas", diz o ministro do Meio Ambiente sueco, Andreas Carlgren. Lula disse durante a coletiva que a proposta de zoneamento agroecológico da Amazônia já foi enviada ao Congresso.
A proposta conjunta de Brasil e Europa é incluir a redução de emissões relacionadas à destruição de florestas responsáveis por 20% das emissões totais no mundo no acordo.
A jornalista viajou a convite da Delegação da Comissão Europeia no Brasil.



