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Cúpula

Clima é nova moeda para protagonismo do Brasil

Lula contabiliza vitórias na área de meio ambiente durante encontro com representantes da União Europeia

Lula com o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso: apoio dos países ricos às propostas do Brasil | Ricardo Stuckert/Presidência da República
Lula com o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso: apoio dos países ricos às propostas do Brasil (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República)

Estocolmo - Depois de insistir em diversos fó­­runs internacionais por uma vaga no Conselho de Segurança da ONU, o Brasil agora usa o clima como moeda para elevar seu protagonismo internacional.

Na cúpula entre Brasil e União Europeia, realizada ontem pela manhã na Suécia, o presidente Lu­­la contabilizou vitórias nessa área. Primeiro, o premier sueco, Fredrik Reinfeldt, que ocupa a presidência semestral do Con­­se­­lho Europeu, anunciou uma nova reunião entre Brasil e União Euro­­peia para novembro, para que as duas partes negociem previamente o acordo climático que deve ser assinado durante a cúpula do Cli­­ma da ONU, entre 7 e 18 de novembro. A ideia foi de Lula, que agora insiste para que outros chefes de Estado compareçam à Dinamarca em dezembro. Ele já se comprometeu em ir.

Outra vitória da "política climática" brasileira foi o apoio do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, à proposta do presidente Lula para obrigar os países a divulgar suas emissões, sob a tutela da ONU. "Eu tenho reivindicado que as Nações Unidas sejam a referência para balizar os números. Quanto que os Estados Unidos emitem de gás de efeito estufa, quanto eles se­­questram de gás carbônico", disse Lula ao desembarcar em Esto­­col­­mo, na noite de segunda-feira. "Mi­­nha proposta é cada um chegar a Copenhague dizendo: ‘eu vou ser responsável por isso’", disse o presidente a jornalistas após a reunião de cúpula, ontem.

Barroso assinou embaixo: "Era bom que tivéssemos o máximo pos­­sível de transparência, não apenas quanto à emissão de gases, mas na maneira como podemos definir a trajetória para sua redução".

Lula criticou o pleito americano para tomar como base no estabelecimento de metas as condições atmosféricas de 2005, en­­quanto a União Europeia adotou o ano de 1990. O Brasil, por ser país emergente, não é pressionado a adotar metas de redução de emissões.

Amazônia

Tradicionalmente cobrado para combater o desmate da Amazô­­nia, o presidente Lula foi realista du­­rante a cúpula de Estocolmo. Ques­­tionado sobre a pressão de ambientalistas por desmatamento zero, disse que "nem se o Brasil fosse careca poderia assumir isso, porque sempre vai ter alguém que vai cortar alguma coisa". Mas Lula aproveitou para defender suas metas, anunciadas durante a Assembleia Geral da ONU, em se­­tembro. A proposta que o Brasil leva a Copenhague é reduzir o desmatamento em 70% até 2017 e 80% até 2020, em relação aos dados de 1990.

A União Europeia diz querer participar desse esforço e cobra a inclusão de projetos florestais no acordo de Copenhague. "Um no­­vo tratado deverá conter um me­­canismo garantindo o manejo sus­­tentável de florestas", diz o ministro do Meio Ambiente sueco, An­­dreas Carlgren. Lula disse durante a coletiva que a proposta de zoneamento agroecológico da Amazô­­nia já foi enviada ao Congresso.

A proposta conjunta de Brasil e Europa é incluir a redução de emissões relacionadas à destruição de florestas – responsáveis por 20% das emissões totais no mundo – no acordo.

A jornalista viajou a convite da Delegação da Comissão Europeia no Brasil.

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