O governo da Colômbia decidiu na quinta-feira libertar dois ex-líderes da guerrilha Farc, como parte de uma estratégia para debilitar o grupo por meio do estímulo a fugas e deserções,
Os presos libertados são Raúl Agudelo Medina e Elda Neyis Mosquera García, a "Karina", considerada uma das comandantes rebeldes mais cruéis e sanguinárias. Os dois já foram condenados por assassinatos e sequestros.
O governo disse que Mosquera e Agudelo manifestaram "sua vontade de paz e de contribuir com a aplicação efetiva do direito internacional humanitário, assim como seu compromisso de renunciar a toda atividade ilegal, de se reincorporar à vida civil e de colaborar com a Justiça".
"Estão em curso dois decretos que outorgam liberdade condicional a dois importantes guerrilheiros, para que se transformem em gestores de paz", disse o ministro do Interior e Justiça, Fabio Valencia.
O ministro assegurou que o governo lhes dará todas as condições de segurança para que cumpram o compromisso que assumiram, enquanto que as autoridades carcerárias manterão uma supervisão permanente sobre ambos.
"Karina", que se entregou ao Exército em maio de 2008, foi condenada em fevereiro a 33 anos de prisão por sua participação num ataque a um povoado do Departamento de Caldas, que resultou na morte de 12 policiais e 2 civis.
O presidente Álvaro Uribe, que promove uma ofensiva militar contra as Farc com apoio dos Estados Unidos, ofereceu benefícios jurídicos aos guerrilheiros que abandonem a luta armada, e se comprometeu a lhes conceder liberdade condicional mesmo que sejam condenados por delitos de lesa-humanidade.
As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) mantêm como reféns 22 policiais e militares que pretendem trocar por cerca de 500 guerrilheiros presos. Posições radicais do governo e da guerrilha, no entanto, impedem que as negociações para a troca comecem.
Os rebeldes também mantêm em seu poder na selva colombiana centenas de civis pelos quais pedem resgates em dinheiro.



