Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo

Com Bolsonaro na plateia, Trump critica Biden e faz discurso de candidato

O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, discursa na conferência de conservadores CPAC. (Foto: EFE/EPA/JIM LO SCALZO)

Ouça este conteúdo

Na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), o mais influente evento de direita do mundo, que teve quatro dias de duração, o ex-presidente americano Donald Trump encerrou esta noite (4) a programação de oradores com um típico discurso de campanha eleitoral.

Durante sua longa fala, Trump saudou o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PL), que estava sentado na primeira fila da plateia, chamando-o de “amigo” e “líder muito popular da América do Sul”, mencionando também o filho dele ali presente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Quando o colega brasileiro se levantou e recebeu aplausos e gritos de apoio, Trump comentou que a palavra "mito" soava “politicamente interessante”. Bolsonaro havia palestrado horas mais cedo na CPAC.

VEJA TAMBÉM:

Com comentários irônicos e duras críticas ao sucessor Joe Biden, Trump explorou fracassos e contradições acumulados pela Casa Branca em questões militares e econômicas. Ao comparar a sua gestão com a atual administração, ele procurou se manter competitivo na luta pela indicação do Partido Republicano para concorrer à presidência em 2024.

Trump enfatizou a importância da segurança das fronteiras dos Estados Unidos, mencionando a construção de um muro na fronteira com o México e criticando o gasto de trilhões de dólares para defender as fronteiras de outras nações. No mantra de “América em Primeiro Lugar”, condenou ações “anti-americanas” de exposição desnecessária de soldados no mundo todo e o reiterado vacilo com negociações comerciais, particularmente com a China.

Acrescentando a tônica de “voltar a ter orgulho do país”, que se soma ao slogan de “Fazer a América grande de novo”, o ex-presidente aproveitou para adiantar pontos da sua plataforma eleitoral, como empoderar os pais nas decisões escolares, garantir a escolha do cidadão por carros movidos a combustíveis fósseis, defender a liberdade de expressão nas redes sociais e até incentivar a natalidade (“sim, quero um baby boom”).

Na área econômica, prometeu acabar com a “demolição de empresas da gestão Biden” a golpes de inflação, fenômeno a que ele atribuiu ao excesso de regulações, incluindo a reconfiguração ambiental de negócios instalados no exterior. Trump criticou o financiamento americano aos organismos multilaterais no geral e à Organização Mundial da Saúde (OMS) em particular, por ser esta “dominada pela China”.

Ainda na área externa, afirmou que poderia impedir conflitos como o do Leste Europeu “com um simples telefonema”, rebatendo as acusações de que teria sido fraco com China e especialmente Rússia no passado.

Em meio a investigações da inteligência americana sobre a armazenagem e uso irregular de documentos secretos da Casa Branca, ironizou o alcance da empreitada do FBI ter chegado também a Biden. “O FBI fará a revolução? Estou curioso”, brincou. Também fez insinuações sobre supostos crimes cometidos pelo filho do atual presidente relacionados à Ucrânia.

Na seara jurídica, voltou a condenar “a sanha dos promotores” contra ele e elogiou militares que avalizaram as políticas de defesa do seu governo. Trump repetiu como um orgulho pessoal e exemplo a ser seguido pelos rivais democratas o fato de ter sido o primeiro presidente dos Estados Unidos em décadas a não envolver a superpotência em nenhuma guerra nova.

Evento conservador serve de vitrine a outros presidenciáveis

Considerado o maior evento conservador do mundo, a CPAC serviu de palanque prévio para outros pré-candidatos do Partido Republicano na corrida presidencial de 2024, que poderão desafiar Trump nas eleições primárias.

Entre esses, o destaque ficou com Nikki Halley, ex-governadora da Carolina do Sul e ex-embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, que já se colocou na corrida e falou na sexta-feira (3) no evento. Outro candidato à indicação de 2024 presente foi o empresário Vivek Ramaswamy, além dos senadores Ted Cruz, do Texas, e Rick Scott, da Flórida, que buscam a reeleição.

O ex-secretário de Estado Mike Pompeo, o ex-estrategista-chefe da Casa Branca, Steve Bannon, além de Donald Trump Jr. e Lara Trump, respectivamente filho e nora do ex-presidente, também discursaram na sexta-feira (3). O governador da Flórida, Ron DeSantis, potencial candidato presidencial republicano e alvo preferencial das críticas mais recentes de Trump, e o ex-vice-presidente Mike Pence não compareceram.

O Partido Republicano, também chamado de o Grande Velho Partido (GOP, na sigla em inglês), segue dividido entre relançar Trump ou apostar em novo nome.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.