
O governo da Mauritânia foi derrubado por um golpe de Estado de militares após o presidente do país, Sidi Mohamed Ould Cheikh Abdallahi, afastar diversos oficiais do Exército. O palácio presidencial foi cercado, ruas foram tomadas por soldados, veículos de comunicação foram invadidos e o chefe do Estado Maior do Exército, general Mohamed El Ghazuani, anunciou em um comunicado transmitido pela televisão estatal a criação de um Conselho de Estado. Fontes dizem que o presidente, o primeiro-ministro e o ministro do interior teriam sido detidos e levados para um local desconhecido. A filha do líder deposto falou a uma TV local.
- Nós estamos sendo mantidos dentro de casa, proibidos de sair. Há guardas na cozinha, nos quartos e até nos banheiros. Telefones foram cortados. É com certeza um golpe - disse a filha de Abdallahi.
O presidente havia chegado ao poder no ano passado, substituindo uma junta militar, numa eleição comemorada pela comunidade internacional. A União Africana e a União Européia já reagiram ao golpe, condenando a derrubada do governo.
- A Mauritânia foi um exemplo de transição democrática, como mostraram as eleições de 2006 para 2007 - disse o porta-voz da Comissão Européia de Ajuda e Desenvolvimento, Clancy.
O presidente deposto havia dissolvido seu governo em maio em meio a críticas sobre sua resposta à crise alimentar no país, provocada pela alta dos preços, e a uma série de ataques de um braço armado da rede terrorista Al-Qaeda ao longo do último ano. Essa semana, diversos membros governistas do parlamento deixaram o partido de Abdallahi.
A Mauritânia é um dos países mais pobres da África, mas tem grandes reservas naturais, incluindo petróleo e, especialmente, minério de ferro. O país foi o último a abolir a escravidão, em 1982.



