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Ditador preso

Com patrimônio bilionário, Maduro diz não ter dinheiro para pagar defesa nos EUA

Ilustração divulgada pela Justiça dos EUA mostra Maduro em audiência em tribunal federal de Nova York, em 5 de janeiro (Foto: Jane Rosenberg/EFE)

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O ex-ditador da Venezuela Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, reiteraram nesta quinta-feira (19) a um tribunal federal em Nova York que não têm recursos para pagar sua defesa no caso em que são acusados de narcotráfico e afirmaram que estão dispostos a apresentar provas financeiras, se o juiz solicitar, para reforçar seu pedido de anulação da acusação.

Os advogados de Maduro e Flores, Barry Pollack e Mark E. Donelly, alegaram em um documento enviado ontem ao juiz do caso, Alvin Hellerstein, que a procuradoria reconhece o direito de ambos de solicitar que o governo da Venezuela custeie a defesa.

Além disso, eles incluíram declarações juradas de Maduro e Flores nas quais afirmam não poderem pagar pelos serviços dos advogados e manifestam a disposição de apresentar provas financeiras se o tribunal requerer.

Essa declaração foi apresentada ao tribunal federal do Distrito Sul de Nova York a poucos dias da próxima audiência do caso, prevista para quinta-feira (26).

Maduro e Cilia Flores foram presos numa operação militar dos Estados Unidos em Caracas, em 3 de janeiro, e dois dias depois compareceram à primeira audiência do caso em Nova York, quando se declararam inocentes.

Eles respondem na Justiça federal americana a acusações de narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos e conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos explosivos.

O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos (OFAC), que administra e impõe sanções econômicas e comerciais, não autorizou que o governo da Venezuela pague os advogados, o que, segundo os próprios, interfere no direito do casal de escolher sua própria equipe jurídica.

A OFAC impôs sanções econômicas à Venezuela a partir de 2015, com o objetivo de pressionar Maduro para uma mudança política no país sul-americano, e o governo dos EUA não reconhece o ditador como presidente legítimo da Venezuela.

No documento, a defesa alegou que a recusa em permitir que a Venezuela pague os honorários legais viola a Sexta Emenda da Constituição dos EUA, que estabelece o direito de escolher a defesa, e a Quinta Emenda, que ampara o devido processo legal.

Os advogados também argumentaram que a OFAC permitiu em outras ocasiões “que um terceiro sujeito a sanções pague os honorários legais de uma pessoa também sancionada”.

“Obrigar os acusados a aceitar um defensor público que não é de sua escolha não é, por definição, uma solução para a violação de seu direito de escolher seu próprio advogado”, acrescentou a defesa.

Por essas razões, os advogados pediram a Hellerstein que as acusações sejam retiradas, por se tratar de um processo “inconstitucionalmente defeituoso”, ou que seja realizada uma audiência para discutir o caso.

“O único remédio é o arquivamento, dado que este tribunal não pode permitir que o presente caso prossiga em violação dos direitos constitucionais do sr. Maduro e da sra. Flores”, apontou o documento.

Apesar das alegações da defesa de Maduro e Flores, estimativas apontam que o ditador possui um patrimônio bilionário.

Um levantamento divulgado em agosto de 2025 pela ONG Transparência Venezuela indicou que o ex-ditador teria pelo menos 745 bens em 20 países, que somariam cerca de US$ 3,8 bilhões.

A ONG divulgou uma nota sobre o assunto depois que os Estados Unidos anunciaram que haviam apreendido cerca de US$ 700 milhões em bens de Maduro.

A Transparência Venezuela relatou que a fortuna do ex-ditador foi formada com “dinheiro sujo, que roubou o bem-estar de todos os venezuelanos”.

Como esses recursos têm origem ilícita, em corrupção e tráfico de drogas, segundo a acusação nos EUA, o chavista tem dificuldades crescentes para acessar o dinheiro.

Além da apreensão de bens anunciada pelos Estados Unidos, logo após a captura do então ditador, a Suíça ordenou o congelamento preventivo (por um período de quatro anos) de bens detidos no país por Maduro e pessoas ligadas a ele.

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