
Nova Délhi - A Índia começa hoje as eleições gerais, as "maiores do mundo. Com o crescimento demográfico, o país orgulha-se de quebrar seu próprio recorde e tem agora 714 milhões de eleitores registrados, 40 milhões a mais do que no pleito de 2004.
Organizar eleições na maior democracia do mundo dá trabalho. Literalmente: o pleito mobiliza 6,1 milhões de funcionários, entre civis e militares. Dividida em cinco jornadas regionais de votação, as eleições indianas vão até 13 de maio.
Há 140 milhões de eleitores registrados para a disputa de hoje. O voto é facultativo, mas o compadecimento costuma superar os 60%. O resultado deve ser divulgado em 16 de maio.
O Partido do Congresso Indiano, legenda histórica da independência, luta para manter a hegemonia, reconquistada em 2004, após seis anos de governo do nacionalista BJP (Partido Bharatiya Janata), seu principal rival. Uma vitória do BJP tende a dificultar ainda mais as tensas relações com o Paquistão, acusado de acobertar terroristas.
Mas são assuntos internos, como assistência, cotas e religião, que dominam a campanha indiana. "Os ataques a Mumbai (em novembro) afetaram a Índia urbana, sobretudo a classe média, mas não os eleitores rurais, que são cerca de 70%, comenta o cientista político indiano Ashutosh Varshney, da Universidade Brown, nos EUA.
Para Varshney, especialista em conflitos entre hindus e muçulmanos, "o ponto central desta eleição é como a estrutura de poder nacional acomodará as diversidade da Índia.
As atenções se voltam para as pequenas legendas com a formação da Terceira Frente, que reúne partidos comunistas e regionais, não-alinhados com as duas grandes coalizões.
"A Terceira Frente é mais um espaço político do que propriamente uma coalizão, analisa o cientista político Balveer Arora, professor da universidade Jawaharlal Nehru, em Nova Délhi. As chances de vitória oscilam entre "remotas e "impossíveis dizem os analistas, mas os resultados permitirão que as pequenas legendas negociem em posição de força.
A legenda mais votada BJP ou, o que é mais provável, o Partido do Congresso não poderá prescindir do apoio dos pequenos partidos. Acomodar minorias em uma administração coerente será o principal desafio do próximo governo.
Para Sumit Ganguly, autor O Estado da Democracia da Índia, a política regional chegou para ficar na Índia. "O país está crescendo em velocidades diferentes e algumas regiões são muito mais prósperas do que outras. Interesses regionais vão dominar a política indiana por um bom tempo, disse à reportagem por telefone.
Há um esvaziamento do Partido do Congresso, e uma crise sucessória na legenda, dominada pela dinastia Nehru-Gandhi, descendente do primeiro premier indiano, Jawaharlal Nehru. Ainda falta ao "príncipe herdeiro, Rahul Gandhi, de 38 anos, liderança. Os indicados para premier do BJP e do Partido do Congresso têm, ambos, mais de 75 anos e a oposição pode tentar emplacar a dalit Mayawati, uma líder regional.
Campanha
A economia vai bem ou melhor do que a do resto do mundo. A crise reduziu o crescimento, acima de 8% do PIB, para ainda impressionantes 7%. Quinze milhões de indianos compraram seu primeiro telefone celular em janeiro.
Mas a desaceleração deve continuar neste ano. E, com 300 milhões de miseráveis, a pobreza e a fome são temas constantes da campanha.
Tanto o BJP quanto o Partido do Congresso prometem vender arroz quase de graça aos pobres. Com o preço anunciado de 2 rúpias por kg (9 centavos de real), o BJP bate o rival. O partido propõe ainda cortes de impostos e isenções fiscais para os militares. Aos mais devotos, o BJP acena com a proteção às vacas sagradas no hinduísmo, religião de 80% dos indianos.
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Interatividade
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