Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Paz

Comitê reconhece organismo que combate armas químicas

Organização para a Proibição de Armas Químicas trabalha hoje com as Nações Unidas para eliminar o arsenal do líder sírio Bashar Assad

Ahmet Uzumcu, diretor-geral da OPAQ, a caminho de uma entrevista coletiva em Haia, na Holanda: 80% do arsenal químico do mundo foi destruído pela entidade | Michel Kooren/Reuters
Ahmet Uzumcu, diretor-geral da OPAQ, a caminho de uma entrevista coletiva em Haia, na Holanda: 80% do arsenal químico do mundo foi destruído pela entidade (Foto: Michel Kooren/Reuters)
Julian Tangaere (à esq.), chefe da missão da OPAQ na Síria |

1 de 2

Julian Tangaere (à esq.), chefe da missão da OPAQ na Síria

Professor Higgs: cervejinha |

2 de 2

Professor Higgs: cervejinha

A Organização para a Proi­bição de Armas Químicas (OPAQ), que está supervisionando a destruição do arsenal da Síria, ganhou o Prêmio Nobel da Paz ontem, anunciou o Comitê do Nobel, em Oslo, na Noruega. A honraria teve um número recorde de 259 candidatos neste ano, incluindo 50 organizações, e o anúncio acabou surpreendendo, já que a OPAQ não era comentada como uma das favoritas.

Especialistas do organismo, apoiado pela Organização das Nações Unidas, estão trabalhando para eliminar o grande estoque de armas químicas da Síria após um ataque com gás sarin no subúrbio de Damasco que matou mais de 1,4 mil pessoas em agosto.

Segundo um acordo entre a Rússia e os Estados Unidos, o armamento químico sírio deve ser removido e destruído até meados de 2014.

"Certamente isso encorajará nossos funcionários a demonstrarem mais o que eles podem fazer em termos de contribuição para a paz e a segurança globais", disse Ahmet Uzumcu, diretor-geral da OPAQ à tevê norueguesa.

Para o presidente do comitê do Nobel da Paz, Thorbjoern Jagland, o prêmio é um lembrete para países como EUA e Rússia contra seus estoques de armas químicas, "especialmente porque pedem que outros, como a Síria, façam o mesmo".

"Nós temos agora a oportunidade de nos livrar de uma categoria inteira de armas de destruição em massa. Seria um grande marco na História se conseguíssemos isso", disse Jagland.

Mais cedo, a tevê estatal da Noruega NRK antecipou o anúncio, informando que a organização seria reconhecida pelo trabalho desenvolvido na Síria. Outras organizações e instituições já foram premiadas antes, como a Cruz Vermelha, a União Europeia e o Unicef.

O prêmio de US$ 1,25 milhão (R$ 2,75 milhões) será entregue em Oslo em 10 de dezembro, aniversário da morte do industrial sueco Alfred Nobel, que criou os prêmios em seu testamento, em 1895.

A missão da OPAQ na Síria é considerada inédita por ocorrer durante uma guerra civil em andamento – um conflito que já matou mais de 100 mil pessoas desde 2011.

Integrantes do grupo chegaram a ser alvejados por franco-atiradores em 26 de agosto, mas esta semana Uzumcu disse que as autoridades sírias estão cooperando com o processo.

Prêmio é sinal de confiança

Primeiro diretor-geral da OPAQ, o diplomata brasileiro José Maurício Bustani ressalta a importância política da missão técnica da instituição para facilitar soluções pacíficas e evitar intervenções militares.

Hoje embaixador na Fran­ça, Bustani dirigiu a OPAQ entre 1997 e 2002, deixando o cargo em um caso polêmico envolvendo a pressão dos EUA, pouco antes da invasão ao Iraque.

Sobre o significado do Nobel da Paz para a OPAQ, Bustani diz que ele não se dirige ao trabalho imediato que está sendo realizado na Síria.

"[O prêmio] reconhece que se trata de uma organização que vem lenta e discretamente fazendo um trabalho extremamente importante no processo de destruição de armas de destruição em massa. É uma mensagem de paz e também de confiança no caminho escolhido para resolver o problema sírio, isto é muito importante", diz.

Convenção

Há 20 anos ocorreu a assinatura do acordo que deu origem à OPAQ. A convenção entrou em vigor em 1997. Os países que assinaram o tratado se comprometem a proibir as armas químicas e deixaram os arsenais químicos sob seu controle serem destruídos.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.