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Ação de forças especiais

Como os EUA destruíram as defesas aéreas da Venezuela e prenderam Maduro

Veículo de defesa antiaérea Base Aérea Generalísimo Francisco de Miranda, também conhecida como La Carlota (Foto: Miguel Gutierrez/EFE)

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seus assessores deram mais detalhes de como ocorreu a operação que resultou na captura do ditador Nicolas Maduro neste sábado (3). Mais de 150 aeronaves atacaram defesas antiaéreas e transportaram militares de forças especiais que prenderam o ditador e sua mulher em uma unidade de segurança na ação batizada de "Operação Resolução Absoluta".

Segundo o general Dan Caine, aeronaves partiram de ao menos 20 bases espalhadas pelo continente. Uma força de helicópteros decolou na noite de sexta-feira (2), às 23h46 do horário local (0h46 em Brasília), de porta-helicópteros e porta-aviões no mar do Caribe, como o Iwo Jima. Eles se aproximaram da costa venezuelana voando a 30 metros de altura sobre o mar, para evitar detecção por radar, transportando militares especialistas em ações de commandos da unidade Delta do Exército Americano.

Aviões de caça “invisíveis”, como os F-22 e F-35, e “naves-mãe”, capazes de lançar drones menores, então invadiram o espaço aéreo da Venezuela para destruir lançadores de mísseis S-300, de fabricação soviética, e outras defesas antiaéreas de longa e média distância. Foram usados ainda bombardeiros estratégicos B-52 Stratofortress, B-1B Lancer e aviões especializados em guerra eletrônica, capazes de interromper comunicações das forças venezuelanas.

Os ataques aéreos começaram às 2h01. Autoridades americanas não informaram se houve destruição ou combate com caças Sukhoi 30 que Caracas possuía antes do ataque. A base aérea de La Carlota, que fica na zona leste de Caracas, foi alvo de ataques. Ao menos um lançador de foguetes antiaéreos foi destruído no local. Também foram bombardeados o porto de La Guaíra e o aeroporto Higuerote, ambos fora da capital venezuelana.

Ataques cibernéticos dos Estados Unidos deixaram várias regiões da capital venezuelana sem luz.

A força de helicópteros então se aproximou de uma instalação de segurança onde estava Maduro simultaneamente aos ataques dos caças e mísseis. Segundo analistas, o assalto inicial contra defesas antiaéreas de curta distância teria sido feito por helicópteros de ataque e drones, enquanto tropas de comandos desembarcavam de helicópteros pesados Chinook, capazes de levar 50 combatentes cada um. Uma das aeronaves americanas foi atingida por fogo antiaéreo, mas conseguiu retornar à base.

"Na nossa chegada na área do alvo, os helicópteros ficaram sob fogo e eles responderam ao ataque com força esmagadora de autodefesa", disse o general Caine. Ao menos 40 pessoas, entre militares e civis, morreram na ação. Militares americanos ficaram feridos.

Trump disse que Maduro foi preso antes que conseguisse sair de seu quarto e chegar a um bunker e fechar uma porta de aço. Ele foi abordado cerca de três minutos depois das primeiras explosões. "Ele não conseguiu chegar até a porta porque nossos rapazes foram muito rápidos", disse o presidente americano. "Nós pegamos eles de surpresa? Um tipo de surpresa, mas eles estavam esperando por alguma coisa. Houve muita oposição. Houve muito tiroteio", disse Trump. O presidente também disse que as tropas estavam equipadas com maçaricos para abrir o bunker de Maduro se fosse necessário.

Nicolás Maduro e sua mulher Cilia Flores então teriam se rendido e sido levados em um dos helicópteros enquanto caças e drones protegiam a extração. Às 4h29 de sábado no horário da Venezuela (5h29 no Brasil), todas as aeronaves já haviam se retirado do território venezuelano. A que transportava Maduro pousou no porta-helicópteros Iwo Jima, posicionado no Mar do Caribe. O ditador foi então levado para a base aérea de Guantánamo, em Cuba, e depois colocado em um avião e levado para uma prisão em Nova York.

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Esconderijo de Maduro seria na base militar Forte Tiuna

Os EUA não deixaram claro onde Maduro estava exatamente na cidade de Caracas, mas fontes do governo americano disseram ao New York Times e à CNN que o esconderijo ficava no Forte Tiuna, que é a principal base do Exército da Venezuela. Ela fica no sul de Caracas e também abriga a Academia Bolivariana Militar. Os helicópteros Chinook foram vistos em baixa altitude na região e o terreno é compatível com uma descrição feita por Trump de que o ataque aconteceu em uma região montanhosa.

No mesmo complexo militar fica o centro de comando e controle das Forças Armadas Bolivarianas. Ele teria sido neutralizado nos bombardeios para dificultar uma reação contra ação americana.

Outras áreas de concentração de tropas na capital e antenas de comunicação também foram bombardeadas com o aparente objetivo de inviabilizar a reação venezuelana.

Aeroporto e porto em La Guaíra

Outros ataques aconteceram na província de La Guaíra, que fica ao norte da Venezuela, no litoral do Mar do Caribe, a 70 quilômetros de Caracas. Ela abriga o aeroporto Simón Bolívar, o maior do país, e o porto de La Guaíra, que foi bombardeado.

Os ataques a essas regiões parecem ter tido função mais estratégica e secundária em relação à captura de Maduro. Por ficarem muito próximos de Caracas, o porto e o aeroporto seriam cruciais para desembarque de tropas para uma invasão mais prolongada do país. Trump mencionou que uma segunda onda de ataques poderia acontecer mas por ora foi descartada.

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