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A política de portas abertas implementada pelo governo socialista da Espanha parece mostrar seus primeiros efeitos com a crise migratória em Ceuta.
Em abril, a gestão liderada pelo premiê Pedro Sánchez implementou novas regras que abrem caminho para que cerca de 500 mil imigrantes que moram no país europeu ilegalmente obtenham autorizações de residência e de trabalho.
Na ocasião, o Partido Socialista e Operário Espanhol (PSOE) descreveu a medida como uma “emergência social”. Agora, a Espanha precisa gerir a chegada de milhares de imigrantes irregulares marroquinos que dirigiram-se à fronteira entre Castillejos (Marrocos) e Ceuta.
A política de portas abertas recebeu um importante respaldo do Judiciário meses depois. Uma decisão do Supremo Tribunal espanhol no início de julho confirmou que a lei da imigração não permite a aplicação de repulsões na fronteira, também conhecidas como "retornos imediatos" (expulsão imediata), a migrantes interceptados no mar.
Esta decisão pode ter incentivado aqueles que aguardavam no Marrocos para entrar na Europa, criando um "fator de atração". Mohamed Benaissa, presidente do Observatório Norte dos Direitos Humanos, disse à Agência EFE que mensagens publicadas nas redes sociais por jovens que migraram para a Espanha servem para convencer outros a fazerem a viagem.
Ainda de acordo com a EFE, a cidade está paralisada, restaurantes e cafés fecharam mais cedo do que o habitual por medo de tumultos, e circular de carro é praticamente impossível devido aos engarrafamentos monumentais causados pelo caos e pelos bloqueios de estradas. A situação também gerou uma sobrecarga nos centros de acolhimento.
A crise em Ceuta começou no início desta semana, poucos dias depois de a Espanha ter dado passos em direção ao reconhecimento da nacionalidade dos saarauís nascidos sob a antiga administração colonial no Saara Ocidental. Acontece também uma semana após a visita do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, à Argélia, país com o qual Rabat não mantém relações desde 2021, em meio a tensões alimentadas por sérias divergências sobre o Saara.
Localizada na costa norte do Marrocos, Ceuta é separada da Espanha continental pelo Estreito de Gibraltar e há muito tempo é um ponto focal para migrantes que tentam chegar à Europa, visto que é a única fronteira terrestre da União Europeia com o continente africano.




