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Os Estados Unidos começaram a deslocar para a Colômbia e o Equador os drones MQ-9 Reaper, aeronaves militares capazes de permanecer por longos períodos no ar, acompanhar alvos no solo e realizar ataques com mísseis e bombas guiadas. Segundo informações divulgadas nesta terça-feira (6) pelo jornal americano The New York Times, os equipamentos estavam na África e agora passam a integrar a ofensiva americana contra o narcotráfico e organizações criminosas na América do Sul.
Ainda não se sabe quantos drones serão enviados à região. Na sexta-feira (2), o ministro da Defesa do Equador, Gian Carlo Loffredo, disse à emissora Ecuador TV que dois MQ-9 já haviam sido entregues ao país e estavam em operação. A Colômbia acertou o recebimento de outros três aparelhos e avalia a compra de um quarto.
O Reaper é utilizado pela Força Aérea americana em missões de vigilância, reconhecimento e ataque. O drone foi desenvolvido para encontrar alvos, determinar sua localização e, quando necessário, destruí-los. Por reunir tais capacidades, a aeronave ficou conhecida como drone "caçador-assassino".
Um drone com 20 metros de envergadura
O MQ-9 é bem maior que os drones normalmente usados para filmagens e vigilância. Tem 11 metros de comprimento e 20,1 metros de uma ponta da asa à outra, uma envergadura comparável à de alguns aviões comerciais de pequeno porte.
Vazio, o drone pesa pouco mais de 2,2 toneladas. Na decolagem, ele pode chegar a 4,7 toneladas, incluindo combustível, equipamentos e armamentos.
O motor Honeywell de 900 cavalos permite que ao drone voar a cerca de 370 km/h em velocidade de cruzeiro. Segundo a Força Aérea dos EUA, o aparelho alcança aproximadamente 15,2 quilômetros de altitude e tem alcance de 1.850 quilômetros. Toda a operação do drone é feita à distância. Em vez de viajar dentro da aeronave, o piloto permanece em uma estação de controle em terra. Outro militar acompanha as imagens e opera os sensores.
Câmeras permitem vigiar alvos mesmo à noite
O Reaper pode permanecer durante horas sobre uma mesma região, acompanhando a movimentação de pessoas, veículos e embarcações. Para isso, o drone utiliza câmeras e sensores infravermelhos que permitem observar alvos também durante a noite. Os equipamentos conseguem identificar a posição de um alvo e transmitir essas informações às equipes responsáveis pela operação. O drone também possui um sistema de designação usado para orientar armamentos de precisão.
No combate ao narcotráfico, os aparelhos podem ajudar a localizar embarcações clandestinas, acompanhar veículos suspeitos e identificar instalações usadas por organizações criminosas. As imagens e coordenadas obtidas durante o voo podem ser compartilhadas com militares e policiais que atuam em terra.
Reaper também transporta mísseis e bombas
Além dos equipamentos de vigilância, o MQ-9 pode carregar aproximadamente 1,7 tonelada de carga útil, incluindo armamentos. Entre as armas que podem ser instaladas estão os mísseis AGM-114 Hellfire e as bombas guiadas GBU-12 Paveway II e GBU-38 JDAM. Com esse armamento, o drone pode acompanhar um alvo e atacá-lo sem precisar que outra aeronave seja enviada ao local. Os Estados Unidos já utilizaram o Reaper em operações contra organizações terroristas no Oriente Médio e na África. Na Somália, por exemplo, forças americanas mantêm operações contra o Al Shabab, grupo ligado à Al Qaeda.
O que os drones farão contra os cartéis?
A principal missão dos Reaper na América do Sul deverá ser a vigilância de áreas utilizadas pelo narcotráfico. Os aparelhos poderão acompanhar suspeitos, veículos e embarcações e fornecer informações às forças colombianas e equatorianas.
Ainda não há confirmação de que os drones enviados aos dois países estejam autorizados a realizar ataques. Em setembro, o chefe do Comando Sul dos EUA, general Francis Donovan, afirmou que Washington estuda realizar ataques terrestres contra organizações criminosas na região. Segundo ele, as ações podem incluir operações contra esconderijos e instalações usadas pelos grupos.
Mudança de prioridade dos EUA
A decisão de enviar os drones para a América do Sul ocorre no momento em que o governo de Donald Trump coloca a defesa do Hemisfério Ocidental e o combate às organizações envolvidas com o narcotráfico entre as prioridades do Pentágono.
A presença militar americana na região já vinha crescendo. No ano passado, os EUA deslocaram drones MQ-9, caças F-35 e uma aeronave de ataque AC-130 para o Caribe durante a ofensiva contra embarcações apontadas como envolvidas no tráfico de drogas. Essa operação terminou na captura do ditador Nicolás Maduro, em janeiro.
Colômbia e Equador estão entre os países que aprofundaram a cooperação militar com Washington nos últimos meses. No Equador, forças americanas já participaram neste ano de operações ao lado das autoridades locais contra redes do narcotráfico. Em setembro, um drone Vector fornecido pelos EUA ajudou as forças colombianas a localizar e resgatar oito pessoas sequestradas pela guerrilha do ELN, na região de Catatumbo. No mesmo mês, drones fornecidos pelos EUA ajudaram as forças colombianas a localizar e capturar Norbey Goez Sepúlveda, apontado como integrante do Clan del Golfo, uma das maiores facções criminosas do país. A operação ocorreu na zona rural de Turbo, no departamento de Antioquia.
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