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Caso Folarin Balogun

Como uma expulsão na Copa virou um problema político internacional

O cancelamento de um cartão vermelho a um jogador dos EUA gerou acusações de interferência de Trump na Copa do Mundo (Foto: Sam Wasson/EFE)

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A decisão da Federação Internacional de Futebol (Fifa) de suspender a punição imposta ao atacante americano Folarin Balogun, após contato do presidente dos EUA, Donald Trump, gerou ampla repercussão e ganhou críticas de autoridades e instituições esportivas internacionais nesta segunda-feira (6).

"Quando a certeza das regras deixa de ser garantida por seus guardiões, a integridade do jogo é posta em questão e a credibilidade da competição é prejudicada", declarou a União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) em um comunicado à imprensa, classificando a decisão como "sem precedentes, incompreensível e injustificável".

A Real Associação Belga de Futebol (RBFA) apresentou um recurso no caso Balogun, no entanto a apelação foi negada pela Fifa, alegando que a entidade "não é parte no processo e, portanto, não tem legitimidade para recorrer da decisão".

O caso foi além da esfera esportiva e invadiu a política internacional nesta segunda-feira. A União Europeia, por meio do comissário europeu para assuntos de esporte, Glenn Micallef, afirmou que as decisões sobre o esporte "pertencem às entidades esportivas, não aos políticos", depois que a suposta intervenção de Trump foi amplamente repercutida na imprensa internacional.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, também se envolveu no caso ao defender a decisão da Fifa de suspender a punição imposta ao atacante americano, argumentando que a revisão do lance "não deveria ter sido feita em câmera lenta".

"Eles nem deveriam revisar essas coisas em câmera lenta. Deveriam ser revisadas em velocidade normal. Acho que foi a decisão certa reverter a suspensão", afirmou ao ser questionado sobre o assunto durante uma reunião com o ministro das Relações Exteriores do Chile, Francisco Pérez, no Departamento de Estado.

O chefe da diplomacia americana reconheceu que "não é especialista em futebol", mas afirmou que pessoas que entendem do esporte concordam que o jogador "nem estava olhando para baixo" e "não sabia onde estava pisando".

O líder da Casa Branca disse que ligou para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, para solicitar uma revisão da sanção imposta a Balogun, que impediria o jogador e artilheiro da seleção americana de participar da partida das oitavas de final entre a seleção dos EUA e a Bélgica, marcada para esta segunda-feira.

Infantino confirmou posteriormente a ligação, embora tenha insistido que a decisão de anular a sanção contra Folarin Balogun tenha sido uma resolução "independente" do Comitê Disciplinar.

O principal órgão judicial da Fifa justificou em um longo comunicado que invocou seu "poder discricionário para suspender a execução de qualquer medida disciplinar" e não invalidar a punição ao atleta. A decisão, na prática, determina a suspensão e o "regime de liberdade condicional" da suspensão de uma partida, pela qual o atacante também recebeu uma multa de US$ 40 mil.

O caso Balogun foi enquadrado no artigo 27 do Código Disciplinar da Fifa, que autoriza a entidade a "suspender, total ou parcialmente, a aplicação de uma medida disciplinar".

Um artigo anterior do Código, o artigo 25, estabelece que os órgãos judiciais "determinam o tipo e a extensão das medidas disciplinares a serem impostas, com base nos elementos objetivos e subjetivos da infração, levando em consideração quaisquer circunstâncias agravantes e atenuantes".

Balogun foi expulso na última quarta-feira, durante a partida das oitavas de final contra a Bósnia-Herzegovina, depois que o árbitro brasileiro Raphael Claus, alertado pelo VAR, considerou a entrada do atacante americano sobre o bósnio Tarik Muharemovic um ato imprudente.

Casa Branca fez dossiê de árbitro brasileiro envolvido na expulsão de jogador dos EUA

O árbitro brasileiro Raphael Claus se tornou uma das figuras centrais da controvérsia envolvendo a decisão de Fifa de suspender o cartão vermelho de uma estrela do futebol americano.

Em uma cronologia dos fatos, o jornal The New York Times apontou que Scott Goodwin, um dos principais doadores da Federação de Futebol dos EUA e gestor de fundos de investimento, teria informado funcionários do governo Trump sobre acusações infundadas contra o árbitro brasileiro Raphael Claus. As alegações incluíam a afirmação de que ele estaria envolvido em uma manipulação de resultados no Brasil, distribuindo cartões vermelhos irregularmente em troca de benefícios financeiros.

O caso em questão foi alvo em uma CPI do Senado brasileiro, que apurou um suposto esquema de manipulação de resultados no Campeonato Brasileiro de 2023, à época denunciado pelo americano John Textor, dono da SAF do Botafogo. Claus chegou a ser convocado para depor, no entanto as autoridades brasileiras e da Fifa não identificaram as supostas irregularidades cometidas pelo árbitro.

O portal The Athletic, braço de esportes do Times, noticiou que a intervenção telefônica de Trump não teria sido a única interferência política do governo dos EUA no caso.

Segundo a reportagem, a Casa Branca teria montado uma operação jurídica e política com o auxílio de advogados, do secretário de Comércio, Howard Lutnick, e Scott Goodwin para tratar da expulsão do atleta. Conforme noticiado inicialmente, as figuras próximas a Trump teriam apresentado os documentos jurídicos envolvendo o episódio de Claus, no Brasil, à Fifa para reverter a situação do jogador punido no jogo contra a Bósnia.

Segundo o portal, Goodwin também teria auxiliado a Federação de Futebol dos EUA na arrecadação de fundos para cobrir o salário do técnico Mauricio Pochettino, responsável pela seleção americana.

Outra figura que estaria diretamente envolvida na intervenção seria Andrew Giuliani, diretor executivo da Força-Tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo. Segundo o The Athletic, ele estaria trabalhando com os advogados e buscando atualizações da Fifa e da Federação de Futebol dos EUA sobre o caso.

A relação próxima de Trump com o presidente da Fifa

O presidente Donald Trump não esconde sua relação de amizade com o presidente da Fifa, Gianni Infantino.

Desde o retorno à Casa Branca, no ano passado, o governante republicano vem sendo bajulado pela autoridade máxima do futebol mundial.

Um dos episódios mais marcantes dessa relação foi a criação do Prêmio da Paz, criado pela entidade para reconhecer lideranças que, segundo ela, contribuíram de forma significativa para a mediação de conflitos internacionais, após Trump não ser agraciado com o Nobel da Paz.

De acordo com a Fifa, o presidente americano foi escolhido em sua própria premiação por sua “ação extraordinária” em favor da paz em regiões como Faixa de Gaza, Sudeste Asiático, África e Ucrânia.

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