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Guerra Civil

Conflito obriga sírios a se mudarem para cavernas

Caverna onde vive a família de Ismail, em Jabal al Zauiya | Suliman Al Asad/EFE
Caverna onde vive a família de Ismail, em Jabal al Zauiya (Foto: Suliman Al Asad/EFE)

Para a família de Ismail, a caverna é o melhor refúgio da Síria, pois desde que um bombardeio destruiu a casa dele, na região de Jabal al Zawiyah, no Norte do país, ele vive em um ambiente idêntico ao da "Idade de Pedra".

Sentada sob o sol, uma mulher de cerca de 40 anos de idade observa seus filhos enquanto eles brincam na colina na qual fica a caverna. O mais novo entra facilmente. Já os mais velhos têm que se ajoelhar para entrar no lugar escuro, onde quase não entram raios de sol.

Neste espaço de cerca de 20 m² vivem 12 pessoas, que dormem recostadas umas sobre as outras, o que não parece incomodar o pai da família, Ismail, que se mostra satisfeito com a segurança de sua nova moradia. "Aqui só ouvimos os ruídos dos foguetes ao longe, sem ter medo dos estilhaços", diz o homem, que deixou para trás uma casa em ruínas por causa dos dias em que a aviação do regime atacou a província de Idlib.

Rodeado por irmãos e primos, Ismail explica que a família se distribuiu em duas cavernas: os homens ficam em uma e as mulheres na outra. Sem perder o sorriso, acrescenta: "Bashar al Assad (o presidente sírio) nos tirou tudo o que tínhamos", afirma. "Se não tivéssemos roupas modernas, qualquer visitante pensaria que voltamos à Idade de Pedra", sustenta Ismail, e recorre à história dos "Sete Dormentes de Éfeso", compartilhada por cristãos e muçulmanos, para ilustrar sua situação.

Os dormentes foram sete jovens da cidade de Éfeso (na Turquia) que, fugindo da perseguição religiosa do imperador romano Décio, no século 3 d.C., se esconderam em uma caverna, onde adormeceram durante centenas de anos.

Passado

Desde a Antiguidade os homens utilizaram as cavernas da Síria como túmulos para enterrar seus reis, mas que nunca tinham vivido nelas. Estas formações rochosas foram trabalhadas pelo ser humano, já que seus arcos abobadados "demonstram uma precisão que não se deve à erosão natural", detalha Abu Ahmed, um homem de 50 anos, que serve de guia.

Abu Ahmed lembra ter brincado quando criança com seus amigos ao redor das cavernas, mas nunca chegou a entrar nelas. Pensavam que eram habitadas por demônios. "Estes lugares permaneceram abandonados e fechados até que nos vimos obrigados a abri-los para quem perdeu suas casas", justifica.

Mas além de servir de refúgio para os deslocados da guerra, algumas das cavernas de Jabal al Zawiyah são utilizadas agora pelo Exército Livre Sírio (ELS) em sua luta armada contra o regime de Bashar al Assad. De uma forma ou de outra, a selvagem guerra na Síria levou seus habitantes de volta à idade das cavernas.

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