No calor de uma discussão sobre política, um homem assassinou à bala seu cunhado em Honduras, um episódio que mostra a divisão no país e nas próprias famílias entre os que apoiam o governo interino e o presidente deposto Manuel Zelaya. Semanas depois do golpe contra Zelaya, em 28 de junho, em uma região no sul no país, Humberto Almendárez, seguidor do mandatário deposto, pegou enfurecido o seu revólver e atirou contra seu familiar quando ele criticava Zelaya. A vítima, um agricultor, tentou se defender com uma faca antes de morrer. O assassino tentou fugir, mas foi capturado pela polícia.
Nem todas as discussões terminam assim em Honduras, mas é comum que velhos amigos tenham parado de se visitar. Muitos, inclusive, preferem deixar de ir a festas de aniversário para evitar familiares com os quais poderiam ter uma discussão. Desde que no fim de junho um grupo de militares tirou Zelaya de sua casa e pouco depois um governo interino assumiu o poder, o professor René Canales, que disse ter sido sempre um homem tranquilo, se transformou. Agora, quando discute sobre preferências políticas, se torna violento. "Não cheguei a bater em ninguém até agora, mas uma vez, quando gritei com um amigo que era um dos golpistas em uma cafeteria, peguei uma cadeira. Se ele me atacasse, eu revidava com uma cadeirada", disse Canales, 62, que admitiu que suas explosões provocaram problemas no trabalho e com a família.
Nas ruas de Tegucigalpa e em outras cidades do país, se vê pessoas conversando ou discutindo em meio a um tenso clima político marcado pela complexa situação de ter no país dois líderes, um de fato e outro deposto.







