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Conflito

Congresso peruano suspende decretos da discórdia

Indígenas prepararam uma grande manifestação para hoje, com apoio de sindicatos e partidos de esquerda

Indígenas bloqueiam Estrada em Yurimaguas, na Amazônia Peruana: mudança na lei florestal provocou revolta e violência no país | Enrique Castro-Mendivil/Reuters
Indígenas bloqueiam Estrada em Yurimaguas, na Amazônia Peruana: mudança na lei florestal provocou revolta e violência no país (Foto: Enrique Castro-Mendivil/Reuters)

Lima - O Congresso do Peru suspendeu ontem, por tempo indeterminado, dois polêmicos decretos que provocaram um motim indígena, o qual deixou 32 mortos na região amazônica do país.

Por 57 votos a favor, 48 contra e uma abstenção, o Legislativo aprovou a suspensão dos decretos legislativos 1090 e 1064 – sobre a lei florestal e a lei da fauna silvestre – cujas retiradas foram exigidas pelos índios amazônicos, que afirmam que as leis enfraquecem seu direito de propriedade sobre suas terras ancestrais.

Os indígenas dizem que os decretos permitiriam a venda das suas terras às grandes multinacionais de petróleo e gás, mas o presidente do Peru, Alan García, assegurou que "está consagrada a propriedade de 12 milhões de hectares de bosques para 400 mil nativos, o que é o bastante".

Os decretos foram ditados no ano passado pelo executivo, para adaptar a legislação peruana às exigências do Tratado de Livre Comércio (TLC) entre o país e os Estados Unidos. Assinado em 2008, o TLC entrou em vigor em fevereiro de 2009.

O Congresso peruano optou pela suspensão numa tentativa de apaziguar os ânimos dos indígenas e dar tempo para a busca de uma solução pacífica ao problema.

Na última sexta-feira, os indígenas entraram em choque com a polícia no departamento (estado) de Amazonas, 730 quilômetros ao norte de Lima. Segundo o governo, foram mortos 23 policiais – dos quais nove por feridas provocadas por lanças – e nove civis.

A votação para suspender os decretos só foi possível graças aos votos da maioria governista do Partido Aprista, com apoio das bancadas dos partidos de direita, Unidade Nacional e Aliança para o Futuro, o último do ex-presidente Alberto Fujimori.

Os indígenas prepararam para hoje uma enorme manifestação de protesto à qual se juntarão sindicatos e organizações de esquerda.

A ministra do Interior, Mercedes Cabanillas, anunciou na quarta-feira que o governo determinou que as forças armadas atuem em apoio à polícia para garantir a ordem interna hoje, especialmente na proteção dos lugares e serviços públicos, que poderão ser atacados por manifestantes.

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