
Genebra - Milhares de líbios estão chegando ao sul da Tunísia todos os dias, fugindo dos combates que ocorrem na região montanhosa do oeste da Líbia, informou ontem o Alto Comissariado para Refugiados das Nações Unidas (ACNUR). Na terça-feira, o maior barco com refugiados do norte da África chegou à Itália, desde o início da crise humanitária no Magreb em janeiro. O barco tem 760 refugiados africanos e, vindo da Líbia, chegou à ilha italiana de Lampedusa, no Estreito da Sicília, informou a agência Ansa.
O ACNUR informou em sua página na internet que o conflito civil líbio expulsou milhares de berberes líbios para a região de Dehiba, no sul tunisino. No total, disse o ACNUR, o conflito na Líbia, que começou em meados de fevereiro, já tornou mais de 500 mil pessoas refugiadas, em um primeiro momento estrangeiros de outros países africanos que viviam e trabalhavam na Líbia, mas agora também líbios.
O ACNUR estima que 10 mil berberes líbios (não árabes) chegaram ao sul da Tunísia nos últimos dez dias. Firas Kayal, um funcionário do ACNUR, disse que 2 mil refugiados chegam por dia e ainda não está claro quantos mais chegarão nos próximos dias, tentando fugir do avanço das tropas do governante líbio Muamar Kadafi nas montanhas entre a Líbia e a Tunísia.
Houve também um aumento do fluxo de refugiados que escapam da Líbia e tentam chegar à Europa. O ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, disse que o enorme número de refugiados indica que Kadafi começou a cumprir sua ameaça de enviar africanos para a Europa. Segundo ele, Kadafi "começou a organizar o tráfico humano" a partir do porto líbio de Zwara, reportou a agência italiana LaPress.



