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Reformulação

Crise de legitimidade e de governabilidade ameaça organismos multilaterais

FMI e Banco Mundial precisam acompanhar mudanças no cenário internacional

Londres e Genebra – O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, organismos multilaterais criados após a Segunda Guerra para servirem como pilares da estabilidade e desenvolvimento econômico global, estão mergulhados numa crise de legitimidade e de governabilidade que, ser não for revertida, pode ameaçar sua sobrevivência nas próximas décadas.

Para os críticos, que não se limitam aos tradicionais militantes antiglobalização, os dois se transformaram em mastodontes anacrônicos que, ao lado de outros organismos internacionais como o G-7 e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a própria Organização das Nações Unidas (ONU), precisam ser reformados para refletirem as mudanças ocorridas no cenário internacional nas últimas décadas, como as emergências da China e da Índia em potências econômicas.

Políticos, especialistas e diplomatas são praticamente unânimes em reconhecer que a comunidade internacional não pode lidar com questões como pobreza, ambiente, estabilidade financeira, doenças, terrorismo, comércio, conflitos ou drogas sem a existência de regras e entidades multilaterais. A questão que todos se colocam é como lidar com todos esses temas em um cenário político e um equilíbrio de poder bem diferente do que existia há 60 anos. "Os anos 90 foram o da esperança e da percepção de que a construção de um consenso internacional seria mais fácil. Mas após os ataques do 11 de Setembro, vemos o fim de um período de inocência e a maior dificuldade para que consensos sejam formados internacionalmente. Isso, sem dúvida, reflete nas organizações internacionais", afirma Celso Lafer, ex-chanceler brasileiro.

A crise no Fundo é a mais aguda. Após socorrer durante décadas países com crises financeiras, a instituição, desde o colapso da Argentina em 2001, ostenta uma agenda vazia. O seu orçamento anual de US$ 980 milhões foi congelado e o organismo deve fechar esta década com US$ 370 milhões no vermelho. A principal explicação é que o FMI deixou de conceder empréstimos aos países em apuros, cujos juros eram sua principal renda. Apenas a Turquia ainda é um grande devedor junto à instituição.

No caso do Banco Mundial, as críticas não se concentram principalmente nas suas atividades, de estímulo ao desenvolvimento econômico e social mas, principalmente, sobre seu comando e governança.

A presidência de Wolfowitz, um dos ex-integrantes da ala ultraconservadora do governo de George Bush, deixou claro como a organização pode ser vulnerável à influência política. "A tradição do governo dos Estados Unidos indicar o presidente do Banco Mundial e a Europa o do Fundo precisa ser abolida", disse a professora Stephany Griffith-Jones, do Instituto de Desenvolvimento da Universidade de Sussex, na Inglaterra. "Para se ter credibilidade, é preciso se buscar a máxima legitimidade junto a todos os países."

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