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Nacionalismo

Crise europeia move a extrema-direita

Alimentados pela insatisfação com os governos e a crise econômica, partidos ultraconservadores ganham terreno e ampliam sua representação

Marine Le Pen, da Frente Nacional: partido cresce na França | Pascal Rossignol/Reuters
Marine Le Pen, da Frente Nacional: partido cresce na França (Foto: Pascal Rossignol/Reuters)
Membros da Aurora Dourada, partido grego que possui relação com o neonazismo |

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Membros da Aurora Dourada, partido grego que possui relação com o neonazismo

Uma revolução política pode estar em curso na Europa. Desde 2010, alimentados pela crise econômica e pela insatisfação popular com alguns governos, partidos de extrema-direita vêm crescendo e ganhando mais representação política nas casas legislativas. Com discursos voltados principalmente contra a imigração e em favor da austeridade fiscal, alguns grupos são mais radicais, com práticas abertamente xenófobas e antissemitas. Em pelo menos 12 países esse avanço é visível e causa apreensão para as eleições que vêm pela frente.

INFOGRÁFICO: Veja como estão os países de extrema-direita

O caso mais recente a chamar a atenção é o da França, que assiste à ascensão da Frente Nacional, partido que, apesar de ter adotado um discurso mais moderado nos últimos anos, ainda defende bandeiras como o protecionismo econômico e tolerância zero à imigração ilegal. Em 2002, a legenda chegou pela primeira vez ao segundo turno da eleição presidencial, com o candidato Jean-Marie Le Pen, pai da atual líder, Marine Le Pen.

Desde que assumiu o comando da Frente Nacional, em 2011, Marine tem trabalhado para livrar o partido da imagem xenófoba. Como consequência, terminou em terceiro lugar na eleição presidencial do ano passado, obtendo 17,9% dos votos e o melhor resultado da legenda na história.

Com a baixa popularidade do governo do presidente François Hollande, a FN apareceu na liderança de uma pesquisa do instituto Ifop, divulgado há dez dias pela revista Le Nouvel Observateur.

Radicais

Se a direita francesa vem amenizando seu discurso, em outros países ela ganha ares de extremismo. Na Grécia, a terceira força política é o Aurora Dourada, partido ligado ao neonazismo e que tem seis de seus deputados investigados por atividades criminosas. O líder da sigla, Nikos Michaloliakos, está preso acusado de envolvimento no assassinato de um rapper antifascista.

Na Hungria, o Jobbik possui a terceira maior representação no Congresso e seus integrantes pregam a expulsão dos ciganos. Em maio, o partido reuniu cerca de mil pessoas em uma manifestação antissemita, em protesto à realização do Congresso Mundial Judaico no país. Já na Áustria, as eleições de setembro indicaram o crescimento do Partido da Liberdade (FPÖ), que terminou em terceiro lugar após uma campanha que defendeu o endurecimento das leis de imigração. O lema do candidato à Presidência Heinz Christian Strache era "o amor pelo próximo, desde que o próximo seja austríaco".

Intolerância

Alguns episódios reforçam a presença e o fortalecimento da extrema-direita na Europa.

Atentados políticos

Em julho de 2011, na Noruega, o radical de extrema-direita Anders Breivik explodiu uma bomba no centro de Oslo e invadiu um acampamento do Partido Trabalhista, matando a tiros 69 pessoas, a maioria jovens. Breivik disse que seu objetivo era punir o partido e eliminar a próxima geração de sociais-democratas.

Racismo declarado

Neste ano, o senador italiano Roberto Calderoli, do partido Liga Norte, comparou a primeira ministra negra do país Cecile Kyenge a um orangotango. Dias depois, o político pediu desculpas. Na Suécia, o deputado Erik Almqvist renunciou no final do ano passado após ser flagrado em um vídeo proferindo insultos racistas contra dois homens.

Imigrantes na mira

No início do mês, dois acidentes semelhantes causaram aproximadamente 500 mortes em Lampedusa, na costa da Itália. As vítimas eram imigrantes que entravam clandestinamente no país e morreram após os barcos onde eram transportados virarem. Políticos de extrema-direita usaram o episódio para atacar as políticas europeias de imigração.Perseguição a gaysImigrantes e gays têm sido alvo de forte perseguição na Rússia. Leis aprovadas recentemente proíbem propagandas com alusão ao homossexualismo, enquanto grupos se organizam para "caçar" gays. Na semana passada, manifestantes foram às ruas protestar contra a presença de estrangeiros depois que um jovem russo foi assassinado supostamente por um imigrante.

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