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Pressão de Trump

Crise da Groenlândia vira foco de debate no Fórum de Davos

Ursula von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia, discursa no Salão de Congressos durante o 56º Fórum Econômico Mundial (FEM) em Davos, Suíça (Foto: EFE/EPA/GIAN EHRENZELLER)

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A recente escalada nas ações do presidente Donald Trump sobre a Groenlândia está agitando o mundo desde o final de semana.

O republicano elevou o tom contra aliados europeus que se opõem ao controle americano do território integrante do Reino da Dinamarca, ameaçando-os com novas tarifas. O assunto não escapou do Fórum Econômico Mundial de Davos, que acontece nesta terça-feira (20).

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, recomendou no evento que a União Europeia (UE) descarte represálias, após as declarações do presidente Trump sobre sua intenção de anexar a Groenlândia.

Ele enfatizou que a ilha é "essencial" para a construção do escudo antimísseis Golden Dome (Cúpula Dourada)", um mecanismo de defesa contra mísseis intercontinentais. Bessent também defendeu que a Otan goza de um excelente estado de saúde "graças ao presidente Trump" e "nunca esteve tão segura como agora".

Já o presidente da França, Emmanuel Macron, aproveitou o seu discurso no fórum para atacar Trump e seus planos de anexação da Groenlândia. Ele disse nesta terça-feira que o mundo "não se deve deixar impressionar" e que "é preciso manter a calma" diante das ameaças de seu homólogo americano e do que parece ser o colapso do sistema multilateral que permitiu manter certa ordem no mundo desde a Segunda Guerra Mundial.

"É preciso ter calma, é preciso nos mantermos em nossos princípios, não devemos baixar os olhos, não devemos ceder à lei do mais forte nem a uma técnica de intimidação", enfatizou Macron, acrescentando que "não é momento para imperialismos e colonialismos".

O líder francês expressou seu apoio à Dinamarca em meio à pressão dos EUA e defendeu novamente o uso do mecanismo contra coerção da União Europeia. "A Europa seguirá ao lado dos nossos amigos da Dinamarca, quando eles estão sendo pressionados. É o que se espera de um aliado".

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também reiterou o apoio do bloco à Groenlândia, afirmando que a resposta da União Europeia (UE) diante das pressões do presidente Donald Trump será "firme, unida e proporcional".

"Consideramos o povo dos EUA não apenas como aliados, mas como amigos. E nos arrastar para uma perigosa espiral descendente apenas ajudaria os adversários que ambos estamos tão empenhados em manter fora de nosso panorama estratégico. Nossa resposta será firme, unida e proporcional", disse no Fórum de Davos.

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, declarou nesta terça em seu discurso que a "velha ordem mundial" não será restaurada e conclamou outros países a se unirem contra "as grandes potências" que desmantelaram um mundo baseado em regras.

"Não se pode viver sob a mentira do benefício mútuo por meio da integração quando a integração se torna fonte de subordinação", disse Carney, acrescentando que o Canadá está "recalibrando" seus relacionamentos, sem citar os EUA.

O premiê expressou seu "forte" apoio à Groenlândia e à Dinamarca, bem como o compromisso "inabalável" de Ottawa com o Artigo 5 da Otan.

Trump insistiu nesta terça-feira que o controle da Groenlândia é "imperativo" para a segurança dos EUA e do mundo. Em uma imagem gerada por inteligência artificial e publicada em sua rede social, Truth Social, ele foi ainda mais longe, retratando a ilha como território americano com a bandeira dos EUA hasteada em seu solo.

O presidente dos EUA deve discursar no fórum nesta quarta-feira (21), sendo o palestrante mais aguardado da conferência deste ano.

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