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O Conselho de Defesa Nacional de Cuba aprovou no fim de semana “planos e medidas” para implementar “estado de guerra” em meio a tensões com os Estados Unidos.
A imprensa oficial da ditadura castrista publicou a informação no domingo (18), embora as medidas não tenham sido detalhadas.
A agência EFE informou que tais planos se baseiam no conceito de Guerra de Todo o Povo, uma estratégia promovida na década de 1980 pelo então ditador Fidel Castro que prevê a mobilização geral da população cubana para enfrentar uma possível agressão externa.
A imprensa estatal cubana relatou que o plano foi aprovado no sábado (17), durante uma reunião do Conselho de Defesa Nacional – órgão responsável por assumir o comando do país durante desastres naturais ou conflitos armados – “em cumprimento às atividades planejadas para o Dia da Defesa”, com o objetivo de “aumentar e melhorar o nível de prontidão e coesão da liderança e do pessoal”.
No sábado, o regime castrista realizou novamente um dia dedicado a atividades de defesa, com exercícios que incluíram simulações de emboscada, treinamentos para colocação de minas e proteção da população e aulas conjuntas em áreas como saúde militar, defesa contra armas de destruição em massa, manuseio do fuzil AKM e técnicas de camuflagem, de acordo com relatos da imprensa estatal.
Desde a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, aliado do regime de Cuba, em uma operação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro, a tensão entre Havana e Washington aumentou.
Embora o presidente Donald Trump tenha dito logo após a captura do chavista que não planejava uma intervenção em Cuba, porque, segundo ele, o regime comunista aliado da Venezuela estaria “prestes a cair”, o secretário de Estado, Marco Rubio, sugeriu em entrevista à emissora NBC que essa hipótese não está descartada.
“Não vou falar sobre quais serão nossos próximos passos e quais serão nossas políticas neste momento a esse respeito”, disse Rubio. “Mas acho que não é nenhum segredo que não somos grandes fãs do regime cubano, que, aliás, foi quem apoiou Maduro.”
Logo após a entrevista coletiva em que Trump detalhou a operação em que Maduro foi capturado, o secretário havia sido mais explícito. “Se eu morasse em Havana e fizesse parte do governo, estaria preocupado pelo menos um pouco”, ameaçou.
Dias depois, o jornal The New York Times noticiou que as Forças Armadas dos Estados Unidos, após executarem a operação de captura de Maduro, reduziram o volume da frota que mantêm posicionada no Caribe desde o final de agosto e transferiram dois navios de transporte anfíbio para águas ao norte de Cuba como parte dessa reorganização.
Posteriormente, Trump disse nas redes sociais que a ilha não receberia “mais petróleo nem dinheiro” da Venezuela e sugeriu ao regime de Cuba que chegasse a “um acordo antes que seja tarde demais”.
O ditador de Cuba, Miguel Díaz-Canel, rebateu também nas redes sociais, ao dizer que “não há conversas com o governo dos Estados Unidos”.
“Como demonstra a história, para que as relações entre EUA e Cuba avancem, elas devem se basear no direito internacional, em vez de hostilidade, ameaças e coerção econômica”, escreveu Díaz-Canel.
O ditador acrescentou que o regime cubano está disposto a “manter um diálogo sério e responsável” com o governo americano “com base na igualdade soberana, no respeito mútuo, nos princípios do direito internacional, no benefício recíproco, sem interferência em assuntos internos e com pleno respeito à nossa independência”.







