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O regime comunista de Cuba perdeu nesta quarta-feira (28) 35 votos na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) durante a votação da resolução apresentada anualmente que pede o fim do embargo dos Estados Unidos. A resolução recebeu 130 votos favoráveis, 17 contrários e 25 abstenções. No ano passado, o texto havia sido aprovado com 165 votos a favor, sete contra e 12 abstenções. A diminuição de votos ocorre após uma ofensiva diplomática feita pelo governo do presidente Donald Trump para ampliar o apoio internacional às sanções americanas contra a ilha.
O Brasil, que seguirá sob o governo de Lula (PT), manteve voto favorável à resolução, diferentemente de Argentina, Paraguai, Colômbia, Equador e Costa Rica, que acompanharam os Estados Unidos e votaram contra a medida. Segundo agência Reuters, a diplomacia americana buscou convencer governos aliados a mudar de posição em relação à votação nos últimos meses, sob o argumento de que o regime comunista cubano utiliza o embargo imposto ao país como justificativa para os problemas econômicos enfrentados pela população.
A ofensiva diplomática dos EUA também teve efeitos na Europa. Países como a Alemanha e a Itália, que apoiavam a condenação das sanções americanas contra Cuba, optaram pela abstenção neste ano. A Coreia do Sul também deixou de apoiar a resolução.
O embaixador americano na ONU, Mike Waltz, comemorou o resultado da votação e afirmou que os EUA estavam satisfeitos com a mudança de posição de países como Alemanha e Coreia do Sul.
“A diplomacia leva tempo, mas agora que tivemos uma triplicação no número de países que mudaram de posição, esperamos que esse movimento continue crescendo”, disse ele.
Brasil mantém posição contrária às sanções
Durante os debates na ONU, o representante brasileiro na entidade, embaixador Sérgio Danese, criticou os supostos efeitos das sanções americanas sobre a economia cubana e a assistência humanitária à população da ilha. Sem citar a ineficiência do regime em governar a ilha, Danese citou relatórios de organismos das Nações Unidas sobre a escassez de medicamentos, alimentos e energia. “Na prática, a autorização para entregar assistência não significa necessariamente que essa assistência chegue a quem precisa”, afirmou ele, citando supostas dificuldades no transporte de mais de 2,9 mil toneladas de alimentos destinados à assistência humanitária em Cuba.
Ele também questionou a inclusão de Cuba na lista de países patrocinadores do terrorismo, que foi mantida pelo governo Trump. A posição brasileira contrasta com a adotada em parte do governo de Jair Bolsonaro. Em 2019, o Brasil votou contra a resolução que condenava o embargo. Em 2021 e 2022, optou pela abstenção. Com o retorno de Lula à Presidência, em 2023, o país voltou a apoiar o documento. Lula foi reeleito presidente no segundo turno deste final de semana.
Apesar da perda de apoio, Cuba conseguiu aprovar novamente a resolução, que é apresentada anualmente desde 1992. O texto não tem caráter obrigatório e não determina o fim das sanções, que dependem diretamente de decisões do Executivo americano.
O regime comunista cubano, liderado por Miguel Díaz-Canel, atribui grande parte da crise econômica do país ao embargo. Líderes opositores, contudo, criticam a forma como os comunistas governam a ilha e culpam o regime pelo estado atual do país. Entidades de direitos humanos também pontuam que Cuba vive sob embargos devido às perseguições da ditadura comunista contra opositores e as prisões políticas que ocorrem quase diariamente no país. Washington sustenta que a repressão política e as políticas econômicas do regime são responsáveis pelos problemas enfrentados pela ilha.







