
Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama, atravessa o pátio que separa a sua residência do monastério Tsuglakhang, na Índia. Entra no templo principal, apinhado de centenas de discípulos, em silêncio. Os tibetanos não querem ouvi-lo falar de sua ausência, um assunto tabu. Mas, com a tranqüilidade costumeira, o Dalai Lama, 73 anos, dá sinais de que poderá escolher em vida seu próximo sucessor, quebrando uma tradição de séculos, para evitar a interferência da China, revela reportagem de Florência Costa, correspondente do Globo na Índia.
A preocupação é geral entre os tibetanos diante das notícias de que sua saúde já não é mais de ferro (ele internou-se duas vezes este ano para a retirada de cálculos biliares). Mas ele assegura que não vai sair de cena enquanto estiver vivo e continuará à frente da luta tibetana:
"Não está em questão a minha aposentadoria. É minha responsabilidade moral trabalhar pela causa tibetana até a minha morte", diz.



