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Às vésperas da eleição parlamentar de 12 de abril, que vai determinar se o primeiro-ministro Viktor Orbán permanecerá no poder (onde está desde 2010; já havia ocupado o cargo entre 1998 e 2002), a Hungria está sendo abalada por um escândalo envolvendo um membro do seu governo.
Uma reportagem do jornal americano The Washington Post publicada no fim de semana apontou que o ministro das Relações Exteriores da Hungria, Péter Szijjártó, compartilharia informações sobre encontros confidenciais da União Europeia (UE) com seu homólogo russo, Sergei Lavrov.
O principal adversário de Orbán na eleição do mês que vem, Péter Magyar, cobrou que o caso seja investigado. “Se confirmado, isso configuraria traição, crime punível com prisão perpétua. Um futuro governo do Tisza [seu partido] investigará o assunto imediatamente”, escreveu no X na segunda-feira (23).
Também ontem, um porta-voz da Comissão Europeia disse a jornalistas que as alegações da reportagem do Post “são extremamente preocupantes”.
“Uma relação de confiança entre os Estados-membros e entre estes e as instituições [do bloco] é fundamental para o trabalho da UE. Esperamos que o governo húngaro forneça esclarecimentos”, afirmou.
De acordo com informações da emissora Euronews, Szijjártó confirmou os telefonemas para Lavrov durante um evento de campanha na cidade de Keszthely, na noite de segunda-feira.
“Eu converso não apenas com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, mas também com nossos parceiros americanos, turcos, israelenses, sérvios e outros, antes e depois das reuniões do Conselho Europeu”, afirmou o ministro. “O que eu digo pode soar duro, mas diplomacia é conversar com os líderes de outros países.”
Nesta terça-feira (24), Szijjártó acrescentou, em vídeo publicado nas redes sociais, que tal atitude não viola protocolos de segurança das reuniões do Conselho de Relações Exteriores da UE, já que nenhum “segredo” é discutido em nível ministerial.
Aliado do ditador russo, Vladimir Putin, Orbán é o maior crítico dentro da UE da ajuda militar e financeira à Ucrânia, em guerra contra os russos desde 2022.
Ele se recusou a permitir o envio de armas para a Ucrânia através do território húngaro, se opôs às sanções da União Europeia ao petróleo e gás russos e resistiu à aprovação de pacotes de ajuda do bloco para Kiev.











