Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Governo Trump

Depois da Venezuela, quais podem ser os próximos alvos de intervenções dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no retorno a Washington na segunda-feira (5), após passar as festas de fim de ano na Flórida (Foto: AARON SCHWARTZ/EFE)

Ouça este conteúdo

Desde que voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou intervenções pontuais em vários países: as forças americanas bombardearam o Iêmen, a Somália, o Iraque, o Irã, a Síria e a Nigéria, mas a ação de maior repercussão foi a ofensiva que capturou o então ditador venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, no último fim de semana.

Essa disposição em usar o poderio militar americano, o maior do mundo, gera especulações sobre onde os Estados Unidos poderão intervir em seguida.

Desde sua eleição, em novembro de 2024, o republicano falou bastante em retomar o controle do Canal do Panamá e em transformar o Canadá no 51º estado americano, mas suas prioridades em política externa mudaram nos últimos meses.

Além da Venezuela, veja quais países ele e integrantes da sua gestão sinalizaram recentemente que poderão se tornar alvos de intervenções dos EUA:

México

Trump já aplicou tarifas ao México devido à entrada de fentanil nos Estados Unidos pela fronteira entre os dois países e designou cartéis mexicanos como organizações terroristas, para dar base legal a eventuais ataques a esses grupos dentro do país vizinho.

No domingo (4), em conversa com jornalistas a bordo do Air Force One, o avião oficial da presidência americana, Trump voltou a dizer que “é preciso fazer algo com o México”.

“O México precisa se organizar, porque [as drogas] estão vazando [para dentro dos EUA], e vamos ter que fazer algo. Adoraríamos que o México fizesse isso. Eles são capazes de fazer isso, mas, infelizmente, os cartéis são muito fortes”, disse o republicano.

Groenlândia

Trump fala desde o seu primeiro mandato (2017-2021) sobre a ideia de anexar a Groenlândia, alegando que a ilha, um território autônomo da Dinamarca rico em recursos naturais, é essencial para a segurança dos Estados Unidos.

“Precisamos da Groenlândia, ela é muito estratégica neste momento. A Groenlândia está repleta de navios russos e chineses”, disse Trump no domingo. “Precisamos da Groenlândia do ponto de vista da segurança nacional, e a Dinamarca não poderá fazer isso [garantir a segurança da ilha].”

Na segunda-feira (5), em entrevista à CNN, o chefe de gabinete adjunto da Casa Branca, Stephen Miller, reafirmou a intenção americana de anexar a Groenlândia.

“Os Estados Unidos são a potência da Otan. Para que os Estados Unidos garantam a segurança da região do Ártico, para proteger e defender a Otan e seus interesses, obviamente, a Groenlândia deveria fazer parte dos Estados Unidos, e essa é uma conversa que teremos como país”, disse Miller, cuja esposa, Katie, gerou críticas de autoridades do território e da Dinamarca ao publicar nas redes sociais uma imagem do mapa da Groenlândia com a bandeira americana e a mensagem “Em breve”.

Em dezembro, Trump nomeou o governador da Louisiana, Jeff Landry, como enviado especial para a Groenlândia. Nas redes sociais, Landry disse que um dos seus objetivos no novo cargo será “tornar a Groenlândia parte dos EUA”.

Colômbia

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, foi alvo de sanções econômicas da gestão Trump no ano passado e teve seu visto americano revogado. O presidente dos EUA também retirou a ajuda à Colômbia.

Antes da captura de Maduro, Trump havia chamado Petro de “traficante” e dito que, após o então ditador da Venezuela, o mandatário da Colômbia seria “o próximo” alvo das ações americanas contra o narcotráfico na América Latina.

No domingo, Trump voltou a falar de Petro, descrevendo-o como “um homem doente que gosta de produzir cocaína e vendê-la para os Estados Unidos, e ele não vai continuar fazendo isso por muito tempo”.

Ao ser questionado por um repórter se isso queria dizer que pode haver uma operação na Colômbia em breve, o republicano respondeu: “Para mim, parece ótimo”.

Irã

No ano passado, durante um conflito de 12 dias entre Israel e Irã em junho, os Estados Unidos realizaram bombardeios pontuais a usinas de enriquecimento de urânio do regime dos aiatolás.

Desde a semana passada, Trump tem sinalizado outra intervenção no país persa, desta vez em resposta à repressão do regime iraniano contra manifestantes.

“Se eles começarem a matar pessoas como fizeram no passado, acho que serão duramente atingidos pelos Estados Unidos”, disse o presidente americano no domingo.

Cuba

Embora Trump tenha dito no fim de semana que não planeja uma intervenção em Cuba, porque, segundo ele, o regime comunista aliado da Venezuela estaria “prestes a cair”, o secretário de Estado, Marco Rubio, sugeriu à NBC que essa hipótese não está descartada.

“Não vou falar sobre quais serão nossos próximos passos e quais serão nossas políticas neste momento a esse respeito”, disse Rubio. “Mas acho que não é nenhum segredo que não somos grandes fãs do regime cubano, que, aliás, foi quem apoiou Maduro.”

No sábado (3), após a entrevista coletiva em que Trump detalhou a operação que capturou Maduro, o secretário havia sido mais explícito. “Se eu morasse em Havana e fizesse parte do governo, estaria preocupado pelo menos um pouco”, ameaçou.

VEJA TAMBÉM:

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.